Régis Haubert. Foto: divulgação.

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Para o segmento das indústrias elétricas e eletrônicas do Rio Grande do Sul, ainda bem que 2014 está chegando ao fim. Segundo a Abinee-RS, o ano foi difícil para o setor, com um crescimento abaixo do esperado.

Embora não tenha dado números desse crescimento, o que o diretor regional da entidade, Régis Haubert, quis dizer com esta afirmação é que, com um crescimento abaixo do esperado, o cenário em 2014 foi de estagnação. E para 2015, a perspectiva não é das melhores.

"O próximo ano, principalmente no primeiro semestre será para manter e reformular o setor depois das dificuldades enfrentadas em 2014. A partir de julho do próximo ano, passamos a vislumbrar uma possibilidade tímida de crescimento", avalia o dirigente.

Para impulsionar este crescimento, Haubert listou em evento para associados nesta terça-feira, 25, diversas ações da entidade. Uma das apostas é o Arranjo Produtivo Local (APL) voltado à iniciativas de automação e controle, iniciado em 2008 em parceria entre a Abinee e a Agência de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI) do estado.

Apostando no APL, o dirigente da Abinee-RS destaca que o arranjo conta atualmente com 57 empresas, em um eixo entre Porto Alegre e Caxias do Sul. Segundo plano divulgado pela entidade em 2013, o plano é dobrar o faturamento das empresas participantes até 2016, por meio de ações de aproximação com clientes, incentivo às exportações e inovação.

Para Haubert, o trabalho desenvolvido no APL é uma referência para o setor, com ações de capacitação para a ampliação de mercados, marketing de vendas, inteligência comercial e inovação em produtos, processos e serviços.

Segundo dados colhidos pela entidade em 2010, as integrantes do APL faturavam juntas R$ 1,5 bilhão, tinham 7,7 mil empregados. No quadro das empresas apoiadoras da APL estão a Altus, Coda, JMD e NBN. Somente a Altus, com faturamento de R$ 130 milhões, assina projetos para mais de oito plataformas da Petrobras.

"O foco é no aumento da competitividade para as empresas deste setor. Por muitos anos, o setor eletrico-eletrônico se apoiou na sua expertise técnica, mas é preciso também inovar em estratégia de negócios", alerta o diretor regional da Abinee.

Competitividade também é a palavra de ordem para Igor Morais, doutor em Economia e ex-economista-chefe da Fiergs, que também palestrou para os associados da entidade.

Segundo Morais, a indústria nacional vai terminar 2014 com a menor participação no PIB na história do país. Vale lembrar que em 2013, a participação já tinha batido esse recorde negativo, figurando em 24% do produto nacional. E para Morais, o cenário deve piorar.

"É fato que a manufatura brasileira perdeu em competitividade, tanto em preço quanto em presença de mercado. Em 2005, 54% dos produtos exportados pelo Brasil eram manufaturados. Hoje essa fatia está em 34% e caindo", afirmou Morais.

Para o economista, não será em 2015 que os empresários encontrarão as respostas e a retomada que esperam e necessitam.

"Será um ano turbulento, por isso é difícil precisar se surgirão oportunidades em meio a esta recessão. Acredito que será mais um período de ajustes, e quem tomar as decisões corretas estará pronto para o crescimento que geralmente vem após isso", afirmou.