Lucas D'Avila. Foto: Baguete Diário.

Com um negócio alicerçado em software livre, a catarinense Portabilis, de Içara – a 182 km de Florianópolis – quer ganhar canais no Brasil com base no i-Educar, solução disponível no Portal do Software Público.

Conforme um dos três sócios do empreendimento, aberto em 2009, o negócio é prova de que software livre é lucrativo.

"É possível, sim, ganhar dinheiro com software livre”, firmou Lucas D'Ávilla durante palestra nessa quarta-feira, 25, sobre empreendedorismo e software público no Fisl 13, em Porto Alegre.

Conforme o jovem, quando ainda pensavam em que tipo de empresa de TI abrir, ele e mais dois sócios se depararam com o governo encerrando o suporte ao software de gerenciamento para educação.

Foi daí que surgiu a ideia de usar o i-Educar numa oferta de serviços.

Resultado: 2,7 anos depois, são 13 clientes na carteira, todos prefeituras da região de Içara.

O faturamento, D'Ávilla não revela, mas garante: está em plena expansão.

Para infraestrutura, a Portabilis usa os serviços da Amazon S3 e Linode. O gerenciamento é feito com zero aplicações no desktop, via Google Docs e Github, em ambiente Ubuntu, e a comunicação se baseia em Skype e hangout do Google.

“Fomos comendo pelas beiradas”, afirma o sócio, que é responsável pela parte de desenvolvimento da start up catarinense.

DE CASA

Além dos três sócios, hoje a empresa tem mais dois colaboradores e aposta no home office.

COMO FAZ?

Para priorizar o crescimento do negócio, cada sócio ganha um salário fixo, independente dos resultados da empresa. O que resta, é reinvestido.

“Somos uma empresa pequena, ainda. Temos contratos por mais quatro anos, mas já estamos pensando em como mantê-la além desses clientes atuais”, explica D'Avila.

PRIVADOS E PARCEIROS

Para buscar o crescimento, a companhia mira duas frentes: uma, a iniciativa privada, com foco em escolas particulares.

A outra, parcerias para alavancar os negócios - estratégia que já tem uma cadastrada, em Blumenau, cujo nome D'Avila prefere manter em segredo.

"Nas parcerias, atuamos com dois modelos: usar revendas como facilitadores e prestar o serviço direto ao cliente, ou ter na revenda um prestador de serviços, com apoio da Portabilis", comenta o sócio.

No suporte, a Portabilis pode assumir integralmente, ou entrar quando o conhecimento da revenda acaba.

MAIS GENTE

No roadmap, também entram contratações de desenvolvedores, embora este ainda seja "mais para a frente”, segundo D'Avila.

POLÊMICA NO CAMINHO
Recentemente, em reunião conjunta das comissões de Infraestrutura e de Ciência e Tecnologia do Senado em Brasília, as entidades de TI aproveitaram para criticar o Portal do Software Público.

No portal, 56 empresas e organismos do governo disponibilizam soluções open source para a administração pública.

Para as entidades, é uma intromissão ilegítima do governo no mercado.

No entanto, o impulso governamental parece longe de terminar. A participação de soluções open source no mercado brasileiro em 2010 foi de 2,95%.

Dos US$ 563 milhões movimentados pelo software livre, 66% correspondem a gastos do governo.