FISL13

CEF: nem só livre, nem só proprietário

25/07/2012 18:56

Costa: não seremos reféns do software livre. Foto: Baguete.

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A decisão da Caixa Econômica Federal (CEF) de investir R$ 112 milhões na compra de softwares da Microsoft é um dos temas de convesas - contra a decisão, é claro - no  Fisl13.

O banco estatal é um dos maiores baluartes da comunidade no Brasil. A exemplo do que acontece tradicionalmente, a CEF patrocinou neste ano o Fórum e não se furtou de comentar o assunto, alegando que estratégia é dar exclusividade nem ao software proprietário, nem ao livre.

“Não dá para ficar refém do software livre”, afirmou Paulo Maia da Costa, gerente executivo da CEF durante o fórum, que começou em Porto Alegre nesta quarta-feira, 25.

Para embasar a tese de que a investida do banco em sistemas Microsoft não significa um adeus ao open source,

Costa apostou em números: os mais de 35 mil sistemas Debian usados nas lotéricas da CEF, que registram 4,5 bilhões de transações ao ano em 100 mil estabelecimentos, por exemplo.

“Além disso, os terminais de autoatendimento também rodam Linux, respondendo por mais de 100 milhões de transações/mês”, garantiu ele.

O executivo também ressaltou que a CEF já investiu R$ 20 milhões em suporte e desenvolvimento de software livre, através da contratação de empresas da área ou de profissionais.

“O software livre está incorporado à nossa arquitetura, na infraestrutura, na telefonia IP, no BI, no BPM, na gestão de impressões. E estamos no Fisl desde a terceira edição”, defendeu-se o gerente.

PREGÃO DA DISCÓRDIA
Argumentos que não livraram o banco das críticas ao investimento milionário em soluções da Microsoft.

Na coletiva de abertura do Fisl 13, o embaixador da Associação Software Livre, Sady Jacques, apontou que, pelos investimentos em softwre proprietário, a CEF vai em uma “lógica inversa à política do governo federal”, que vem há oito anos migrando o máximo possível para software livre.

Para Jacques, a CEF “substitui licenças por licenças”, uma vez que já usou, anteriormente, sistemas proprietários, depois apostou em software livre, e agora volta a investir em Microsoft.

Já Costa defende que o investimento do banco “não se trata de troca de licenças, mas de atualização de máquinas”.

Segundo o gestor, as estações incluídas no pregão vencido pela Microsoft não eram atualizadas há cerca de 10 anos, ainda rodando Windows XP, com outras soluções igualmente defasadas.

“Nós queríamos sair do XP para o Windows 7 e aperfeiçoar o parque. Só isso”, resumiu Costa. “Hoje, são 200 mil estações, entre PCs para uso pelos funcionários e terminais de atendimento. Metade deles roda software livre”, garantiu.

PANOS QUENTES
O gestor da Caixa também taxou os apelos dos ativistas do software livre de “política de equilíbrio das forças”, e disparou: “Temos missões críticas e precisamos manter os sistemas em funcionamento. E tem coisa que não se faz com software livre”.

Na linha da amenização de ânimos, o gerente executivo destacou que o banco não será escravo de “nenhum dos dois mundos, livre ou proprietário”, mas que acredita “na manutenção dos dois”.

NA ÉPOCA
A compra dos R$ 112,09 milhões em produtos da gigante norte-americana pelo banco brasileiro foi anunciada em 26 de junho.

O assuntoi foi notícia no Baguete e em nota enviada ao site, o banco afirmou que “apesar dos esforços da Caixa e dos fornecedores para suporte e consultoria, não foram alcançados resultados satisfatórios em inúmeros projetos estruturantes da plataforma baseada em soluções de software livre”.

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A migração, realizada ao longo do último ano, também acarretou a troca do zOS pela plataforma Linux, conforme explica Fábio Becker, analista do banco.

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A proposta, que garante a frente na contratação de bens e serviços de informática pela União, pelos estados, pelo Distrito Federal e pelos municípios foi aprovada na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados.

Software livre está estagnado nas empresas

Em estudo realizado pela empresa MBI Mayer&Bunge Informática indica que o software livre está entrando em fase de estagnação nas empresas.

Cerca de apenas 4% das companhias consultadas, diz a pesquisa, apostam todas as suas fichas nesta plataforma, enquanto a grande maioria faz uso muito moderado.

Ao mesmo tempo, 20% das empresas se recusam a fazer qualquer uso.