A Perpetual Guardian reduziu a semana de trabalho de 40 para 32 horas por um mês. Foto: Pexels.

A Perpetual Guardian, empresa da Nova Zelândia que administra seguros, testamentos e propriedades, pensa em tornar permanente um modelo de semana com quatro dias de trabalho e três de folga.

A empresa testou a escala - que reduziu a semana de trabalho de 40 para 32 horas sem modificar o pagamento - em março e abril deste ano. Durante o experimento, a companhia pediu a dois pesquisadores que estudassem os efeitos da mudança na equipe.

O resultado foi que o modelo impulsionou a produtividade dos 240 funcionários, que relataram que o tempo extra de folga foi utilizado para atividades como passeios em família, culinária, exercícios físicos e trabalhos manuais em casa.

Jarrod Haar, professor de recursos humanos da Universidade de Tecnologia de Auckland, disse que os funcionários registraram uma melhora de 24% no equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

"Os supervisores disseram que a equipe se tornou mais criativa e que sua presença se tornou mais qualificada, pois chegaram no horário e não saíram cedo ou fizeram longas pausas. O desempenho real no trabalho não mudou ao longo de quatro dias em vez de cinco", detalha Haar, em entrevista ao The New York Times.

Para os trabalhadores, a mudança foi uma motivação para encontrar maneiras de aumentar sua produtividade enquanto estavam no escritório. As reuniões foram reduzidas de duas horas para 30 minutos e os funcionários criaram sinais para demonstrar aos colegas que precisavam de tempo para trabalhar sem distrações.

"Eles analisaram em que tarefas estavam perdendo tempo e trabalhavam de maneira mais inteligente, não mais difícil", diz Haar.

Andrew Barnes, fundador da empresa, disse acreditar que a Perpetual Guardian foi a primeira companhia no mundo a pagar 40 horas aos funcionários e exigir 32 horas de trabalho. 

Ele explica que a ideia de uma semana de trabalho de quatro dias surgiu após a leitura de um relatório que sugeria que as pessoas somavam menos de três horas de trabalho produtivo e outro sobre os efeitos que as distrações no trabalho poderiam ter sobre a equipe, similares a uma noite de sono perdida.

Para ele, os resultados do teste mostram que, ao contratar pessoal, os supervisores devem negociar as tarefas a serem executadas, em vez de basear os contratos nas horas que os novos funcionários passam no escritório.

"Um contrato deve ser sobre um nível acordado de produtividade. Se você entregar isso em menos tempo, por que eu deveria cortar seu pagamento?", diz Barnes ao NYT.

A partir do teste, o conselho administrativo da Perpetual Guardian considerará tornar a mudança permanente.