Marcelo Gonçalves. Foto: reprodução.

A Sony está investindo alto no 4K para impulsionar sua presença em vídeo e vendas de produtos como televisores no Brasil. Para isso, a empresa confia em alguns fatores externos para que isso ocorra.

Na preparação de levar ao mercado uma nova linha de televisores Ultra HD ao mercado nacional, a companhia acredita que o consumidor brasileiro em breve abraçará a nova tecnologia, que promete resolução muito superior ao atual padrão Full HD.

"Os preços estão mais baixos e muitos usuários já estão comprando as televisões de 4K, com polegadas maiores, para ter em suas salas de estar", afirmou Marcelo Gonçalves, gerente de Marketing da Sony Brasil.

Segundo o gerente, hoje os televisores de 4K partem de preços na faixa dos R$ 4 mil, podendo chegar a R$ 20 mil. A expectativa é que a tecnologia fique mais barata nos próximos anos, aproveitando a produção local que a Sony tem em Manaus.

O que preocupa Gonçalves, entretanto, é a atual estrutura de conteúdos 4K no Brasil, que está bem atrás do que é oferecido nos Estados Unidos e países da Ásia, onde a venda de televisores Ultra HD já representa a maior parte das vendas para a Sony.

Por exemplo, nos Estados Unidos, mais de 50% das vendas de televisores já são 4K. Segundo dados da consultoria IHS, o país registrou em 2014 um crescimento de 94% sobre 2013 nas vendas destes produtos. Até 2020, as vendas do setor devem atingir US$ 52 bilhões globalmente.

"Atualmente quem está levando estes produtos aqui no Brasil só consegue usufruir desta resolução ao ver filmes em Blu-Ray ou serviços de streaming como o da Globosat", destacou o executivo.

A parte de conteúdo também é de interesse direto para a multinacional. Diversos de seus produtos, como a divisão de cinema e PlayStation também tem produtos baseados em 4K, o que pode gerar ganhos além da venda de televisores.

Internacionalmente, sites de vídeo como Netflix e YouTube já oferecem transmissão de conteúdos em 4K. Porém, para receber o sinal via streaming, o usuário precisa de uma conexão de cerca de 10Mbps entregues.

"No Brasil ainda temos vários problemas de infraestrutura de internet, o que complica para a entrega de conectividade, o que é necessário para estes serviços", avalia Gonçalves.

Mesmo com esses empecilhos, o executivo acredita que a adoção local de 4K virá em peso nos próximos anos, acompanhada dos esforços dos provedores de conteúdo para que isso ocorra.

"Diferentemente do caso do 3D, que de fato virou um produto de nicho, acreditamos que a tecnologia 4K terá uma aceitação massiva do consumidor. Será um esforço conjunto dos provedores de internet, serviços de vídeo e fabricantes. Vejo que já teremos uma evolução significativa nos próximos dois anos", finaliza Gonçalves.