Milton Neto. Foto: divulgação

Chegar onde a Apple chegou com os apps para celular é a ideia da LG para as smart TVs.

Plataforma que permite rodar aplicativos nas TVs, a exemplo do que ocorre em smartphones, a Smart TV da LG mais que dobrou o número de apps desde o ano passado, quando os primeiros aparelhos chegaram ao Brasil, somando 700 programas.

Segundo Milton Neto, gerente geral de Produto de Televisores da empresa sul coreana no Brasil, o número ainda é pequeno, mas o ecossistema tem potencial para dar um retorno financeiro “significativo” no médio prazo.

“Por enquanto temos dados muito preliminares, mas contamos com uma boa participação de receita no futuro”, enfatiza Neto.

ALÉM DA TELA
Nessa terça-feira, 24, a fabricante coreana reforçou a sua linha de TVs inteligentes com o lançamento de novos modelos de aparelhos no Brasil.

Por trás das telas de 42 a 55 polegadas e da tecnologia 3D, os modelos da Smart TVjá vêm com apps de marcas conhecidas, como Coca-Cola, Banco do Brasil e UOL.

A aposta, esclarece Neto, é nos serviços aos usuários, como no caso do BB, que permite realizar transações através da televisão, conectada à internet.

“Estamos mostrando ao consumidor que a TV é não só TV”, diz o gerente.

MUITO PELA FRENTE
O caminho ainda é longo para chegar ao tamanho do feito da Apple, atualmente com mais de 500 mil aplicativos no seu ecossistema.

Mas, segundo Neto, será trilhado de forma consistente pela LG, e o Brasil tem peso na estratégia - basta ver que, dos aplicativos hoje na seção da Smart TV, 100 são em português, todos desenvolvidos pelos atuais 10 programadores brasileiros habilitados.

Não à toa: o país é um mercado que chegou à marca de 14,1 milhões de TVs no ano passado, e onde a empresa faturou 8% da sua movimentação global.

E a missão de fomentar o ecossistema local foi dada a Neto em setembro de 2010.

TV EMBAIXO DO BRAÇO
Vindo da Turner Broadcasting System – dona dos canais CNN, TNT e Cartoon Network -, onde era funcionário de carreira com 10 anos de casa, atuando como gerente de desenvolvimento de negócios, o executivo conta que teve de pegar pesado para promover a Smart TV.

“Literalmente colocamos a TV embaixo do braço e fomos visitar agências e outros parceiros em potencial”, relembra Neto.

Aos poucos, o ecossistema começou a se formar e a TV, a se popularizar.

“Hoje já posso deixar a TV no escritório. Felizmente o pessoal já conhece”, diz o executivo, acrescentando que 40% das Smart TVs hoje são ativadas (conectadas à internet) pelos consumidores, que passam a usar os aplicativos.

ESTRATÉGIA SIMILAR
Para engrossar o portfólio de conteúdos, os atrativos da Smart TV são basicamente os mesmos da Apple: venda através de uma loja de aplicativos e rendimento por anúncios.

Assim como no caso da Apple, onde existem hoje empresas dedicadas à plataforma iOS, alguns desenvolvedores da LG, acrescenta Neto, tem sido contratados por empresas para criar apps personalizados.

Pode-se dizer que aprendemos bastante com esses outros mundos”, finaliza o executivo.

SAMSUNG TAMBÉM É SMART
Enquanto a LG faz as suas visitas de promoção, a maior concorrente no Brasil, a Samsung – também coreana – põe em campo uma outra estratégia para a sua plataforma: os workshops.

Um dos últimos foi realizado em meados do último semestre, com palestras sobre as vantagens do sistema. Com perfil um pouco mais diversificado – a plataforma aceita as linguagens Java Script, CSS, NCL, Flash ou HTML5 – a Samsung também criou um portal para os interessados.