Procura por formulários de divórcio anda acima da média. Foto: Pexels.

A metrópole Xi'am, cidade localizada região central da China que possui 12 milhões de habitantes, registrou um recorde no número de pedidos de divórcio nas últimas semanas, após o fim da quarentena do país.

De acordo com a BBC News Brasil, todos os horários disponíveis para tratar do tema nos escritórios locais estão tomados por semanas em alguns distritos.

Em municípios de outras províncias, há relatos de que a procura por formulários de divórcio anda acima da média.

"É muito tempo junto. Eu tenho visto cada vez mais histórias sobre separações. Muitas piadas também. Mas o problema parece sério", disse Ge, uma professora de 29 anos, à BBC News Brasil.

Segundo a publicação, os cartórios estiveram fechados durante cerca de um mês e os chineses já vinham se divorciando em um ritmo mais acelerado nos últimos anos.

Em 1985, a taxa de divórcio na China não passava de 485 mil e, em 2016, o número chegou a 4,2 milhões. Hoje, cerca de 70% dos divórcios são pedidos por mulheres no país.

"Grandes episódios como este fazem as pessoas pensar mais nas suas vidas e o que realmente interessa. É verdade também que os casamentos que sobreviveram à quarentena devem seguir mais fortes!", opinou Lijia Zhang, escritora chinesa, à BBC News Brasil.

Ainda de acordo com o site, os chineses estão se casando menos. A cada 1 mil, uma média de apenas 7,2 pessoas resolveu juntar as escovas de dente oficialmente em 2018, índice mais baixo desde 2013.

Neste contexto, as separações supostamente provocadas pelo coronavírus não devem ajudar o governo, que acabou em 2016 com a política do filho único, adotada na década de 1970.

Dados da comissão nacional de saúde da China indicam que o país terá 487 milhões de idosos em 2050, cerca de 35% da população total. Em 2018, a taxa estava em 17,3%, ou 242 milhões de pessoas.