Luiz Mattar.

A Tivit decidiu separar suas operações de TI e terceirização de processos de negócios (BPO, na sigla em inglês), criando uma nova companhia especializada em BPO, a Neobpo.

A nova empresa será comandada por Marco Lipi, um executivo que havia assumido o comando de outra empresa do segmento, a AlmaViva do Brasil, em abril de 2012, vindo da sede da empresa na Itália.

O novo negócio nasce em 1º de janeiro de 2017 com um faturamento esperado de R$ 700 milhões em 2016, mais de 50 clientes entre as maiores empresas brasileiras e 20 mil funcionários distribuídos por 13 unidades.

A Neobpo terá duas unidades de negócios, uma voltada a serviços tradicionais de BPO (CRM, recebíveis e back office) e outra com foco em soluções digitais, incluindo robotização, automatização e mídias sociais, entre outros.

Essa última oferta está baseada em uma plataforma de inteligência artificial sobre a qual a Tivit não deu maiores detalhes. A Tivit será a fornecedora da infra de TI do novo negócio.

“Com a criação da Neobpo, ambas as companhias terão estratégia, gestão e plano de investimentos independentes, focadas em impulsionar o crescimento de ambos os negócios e gerar valor para seus clientes, funcionários e acionistas”, explica Luiz Mattar, presidente e co-fundador Tivit.

De acordo com Mattar, que permanece sócio da nova empresa junto com a Apax Partners, a divisão vinha sendo estudada nos últimos dois anos.

Na opinião de fontes próximas ouvidas pelo Baguete, o negócio faz sentido ao separar o negócio de BPO, que é de baixa margem mas na qual a Tivit é um grande player no país só atrás de gigantes como Contax e Atento, tornando a área de TI um negócio mais rentável e atrativo para investidores. 

Com a decisão, a Tivit deve ter mais liberdade para focar no seu negócio principal em soluções serviços de TI e, cada vez mais, computação em nuvem.

No começo do ano, a empresa anunciou um investimento de R$ 46 milhões para ampliar sua oferta de computação em nuvem.

Além de investir na construção de nuvens locais, o aporte previa a ampliação da oferta com a adoção de um modelo multicloud. Esse posicionamento foi reforçado meses depois com a compra da mineira One Cloud, uma startup mineira especializada no chamado serviço de “cloud broker”.

Com a tecnologia da One Cloud, a Tivit pode oferecer a seus clientes uma forma de comparar, comprar e pagar serviços de provedores como AWS, Microsoft Azure, Softlayer e Digital Ocean.

UOL Diveo e Algar, dois grandes concorrentes da Tivit, anunciaram movimentos nessa mesma direção.

A Tivit previa para 2016 uma receita superior a R$ 300 milhões nesta área. 

Em 2014, a empresa teve uma receita total de R$ 2 bilhões e previa chegar a R$ 2,5 bilhões no ano passado, mas não chegou a divulgar resultados, o que sinaliza que as metas não foram cumpridas ou mesmo que a empresa diminuiu faturamento.