Uma das montagens que circula com o #SartorãoDaMassa

A campanha digital do candidato do PMDB ao governo do Rio Grande do Sul, José Sartori, decidiu abraçar a “zueira” no Twitter, com algumas implicações atingindo a campanha eleitoral na mídia convencional.

Para os que não estão atentos às particularidades da rede de microblogs, “zueira” é uma designação genérica para boa parte das postagens no Twitter com um forte componente de humor, nonsense e uma dose grande de piada interna.

A campanha de Sartori embarcou na onda na semana passada, quando começou a disseminar a hashtag “SartorãoDaMassa”, criada por Mairon Rodrigues, um jovem porto alegrense, na quinta-feira, 18.

Mairon, assim como outros contatos seus no Twitter, participa de um campeonato de futebol na capital gaúcha, batizado de ZueraCup, já na sua quarta edição, bastante frequentado por usuários da rede social. A última edição atraiu 500 pessoas, segundo o jovem.

Os responsáveis pela conta de Sartori no Twitter aparentemente viu uma oportunidade de interação com usuários relativamente influentes e adotou prontamente o #SartorãoDaMassa, estimulando integrantes da ZueraCup a propagarem o tag.

O perfil tem usado a hashtag em quase todas suas postagens, inclusive nas mais convencionais, usando ela no lugar do nome do candidato. 

 As postagens mais típicas de perfis de políticos administrados por terceiros, como fotos de atividades, divulgação de agenda e citações de declarações do candidato deram lugar em grande parte à promoção do relacionamento com os seguidores e à tal “zueira", inclusive com uso de gírias e símbolos difundidos na rede social.

O auge da abordagem aconteceu quando a hashtag apareceu na campanha eleitoral do candidato, para vibração dos integrantes do Futzueira e outros twitteiros que já haviam embarcado no meme.

 “Um dos nossos critérios na gestão de Sartori nas redes foi usar a linguagem do meio”, explica Roberto Andrade, responsável pela equipe de mídias sociais do ex-prefeito de Caxias do Sul, na qual trabalham oito pessoas (ligeiramente menor que as dos concorrentes Tarso Genro, do PT, onde trabalham 10 e de Ana Amélia Lemos, do PP, onde atuam 12).

De acordo com Andrade, a atitude mais sóbria do candidato até o começo da semana passada respondia por um período no qual Sartori estava construindo uma base de seguidores. 

 Andrade, que fez a coordenação executiva de mídias sociais para Dilma Rousseff na última campanha presidencial e para José Fortunati, na eleição municipal de Porto Alegre de 2012, frisa que não existe uma disparidade tão grande entre o candidato real e a imagem do Twitter.

“O Sartori aprovou pessoalmente o #SartorãodaMassa. Claro que ele não conhece as particularidades do Twitter, mas o posicionamento de campanha sempre foi mostrar o lado simpático e próximo das pessoas dele”, explica Andrade.

Na campanha mais convencional de Sartori na TV, uma das linhas de comunicação é fortalecer a imagem de “gringo da Serra” do candidato, destacando suas origens humildes, o apego às origens (Sartori fala com o inconfundível sotaque da colônia italiana gaúcha) e o estilo despojado das suas aparições públicas. 

“Por mais maluca que seja a gurizada, a gente levou a sério. Acompanhamos os projetos, o que ele fez em Caxias e o que ele quer fazer no Rio Grande do Sul. Mas esse negócio de aparecer na TV me assusta. Fiz numa brincadeira e entrou na campanha!”, comenta Mairon, que twitta com o nome @Maiiron_ para cerca de 500 seguidores.

Parte da ousadia no Twitter pode ter a ver também com o risco relativamente pequeno de que a mensagem cause um impacto negativo.

Sartori não tinha presença nas redes e no momento o perfil @redesartori angaria pouco mais de 1,3 mil seguidores. Tarso Genro, que atualiza o seu próprio perfil há algum tempo, tem 63 mil e Ana Amélia, que também já tinha um perfil, ainda que abastecido por assessores, soma 23 mil. Os dois estão na rede desde 2010.

Outra parte pode ser explicada por um momento na campanha em que qualquer tipo de ousadia é bem vinda.

Segundo a última pesquisa do Ibope, divulgada no dia 10 de setembro, Sartori dobrou sua participação em relação à última pesquisa, passando para 11%. 

No entanto, a eleição ainda parece polarizada entre Ana Amélia Lemos, que subiu dois pontos para 38% e Tarso Genro, que caiu cinco pontos para 30%.

Candidatos que corriam por fora de disputadas polarizadas no Rio Grande do Sul já entraram de maneira surpreendente no segundo turno e venceram as eleições antes, como no caso de Yeda Crusius (PSDB) e Germano Rigotto (PMDB). 

Em nenhuma delas, no entanto, o preterido foi o candidato petista ao governo do estado, que costuma contar com uma base entre um quarto e um terço do eleitorado.

O problema de Sartori, um político popular na Serra Gaúcha, onde foi eleito cinco vezes deputado federal e duas vezes prefeito de Caxias do Sul, fazendo o seu sucessor, é que a imagem do “SartorãoDaMassa” parece estar chegando tarde para o resto dos eleitores gaúchos.

“O conteúdo está adequado porque reflete a persona do Sartori. Pena que há poucos eleitores lá conectados com ele.  Por isso a importância do político valorizar as redes sempre e não só em época de eleição”, frisa Rafael Terra, da agência Fabulosa Ideia, especializada em mídias sociais.