Maria Cristina Ferreira de Oliveira.

Maria Cristina Ferreira de Oliveira, ex-vice diretora do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, acaba de assumir a presidência do chamado ICMC, se tornando a primeira mulher a comandar o instituto.

O ICMC é um dos institutos pertencentes à USP, localizado no campus de São Carlos, no interior de São Paulo.

Ele possui aproximadamente 2 mil alunos divididos em oito cursos de graduação, incluindo Ciência da Computação e Sistemas da Informação, além de cinco programas de pós-graduação. Ao todo são 150 docentes.

Maria Cristina é uma prata da casa, formada em Ciência da Computação pela USP em 1985, com doutorado em Electronic Engineering pela University of Wales, no Reino Unido.

A profissional é professora no ICMC desde 1986 e já foi foi coordenadora do Programa de Pós-graduação em Ciência da Computação e Matemática Computacional do ICMC, nos biênios 1997-1998 e 2005-2006, e Chefe do Departamento de Ciências de Computação (SCC) de março de 2010 a fevereiro de 2014. 

Em notícia divulgada no seu site, a USP frisou a trajetória de vida da nova presidente do ICMC, que é uma de cinco filhas de um casa humilde formado por uma costureira e um taxista na cidade de São Carlos. 

“Eu tenho muito orgulho de ter feito escola pública e estar aqui. Eu gostaria de ver mais gente com essa história entrando na USP”, afirma Maria Cristina. “O que muda a vida de uma pessoa é conseguir estudar, fazer um curso de graduação e se sair bem. Hoje, a vida que eu e minhas irmãs temos é incomparável à vida que meus pais tiveram”, agrega.

Cristina e suas quatro irmãs são doutoras e docentes em universidades públicas brasileiras. 

Maria do Carmo, irmã gêmea de Cristina, é professora no Departamento de Engenharia Química da UFSCar. As outras três irmãs também seguiram carreira na área de Química, tal como Maria do Carmo, mas optaram pela graduação na USP, tal como Cristina. 

Marysilvia, que nasceu cerca de dois anos depois das gêmeas, é hoje professora na Universidade Federal do Rio de Janeiro; cinco anos adiante, chegou Marystela, que atualmente é professora na Universidade Federal de São Carlos em Sorocaba; a caçula, Mariselma, veio uma década depois das gêmeas e, hoje, é professora na Universidade Federal do ABC. 

MULHERES NA USP

Ao ingressar em uma das primeiras turmas de Computação do ICMC, curso oficialmente reconhecido pelo Ministério da Educação em 1981, Cristina encontrou uma sala de aula bastante equilibrada: cerca de 50% dos estudantes eram homens e 50% mulheres, uma situação muito diferente de hoje em dia.

Nos últimos cinco anos, por exemplo, apenas 9% dos alunos formados no curso de Ciências de Computação do ICMC eram mulheres; no Bacharelado em Sistemas de Informação, o índice chegou a 10% e em Engenharia de Computação, 6%. 

Entre as 42 unidades de ensino e pesquisa que compõem a USP, 15 delas (35,71%) têm mulheres na direção atualmente. Mas somente duas dessas 15 unidades são da área de ciências exatas: o ICMC e a Escola Politécnica. 

“A universidade como um todo, em média, está bem equilibrada na questão de gênero. Mas algumas áreas ainda têm problemas muito sérios, especialmente devido a aspectos culturais. Mas, felizmente, pouco a pouco isso está sendo modificado. A posse de uma primeira diretora no ICMC já é um bom sinal”, afirmou o reitor da USP, professor Vahan Agopyan, na noite da posse de Cristina. 

Apesar de destacar que nunca teve dificuldades na carreira por ser mulher, uma situação embaraçosa aconteceu quando Cristina foi indicada para fazer seu primeiro estágio, antes mesmo de se formar. 

O professor Fernão Stella de Rodrigues Germano, docente do ICMC que já faleceu e dá nome ao maior auditório do Instituto, recebeu certo dia o telefonema de uma grande empresa que atuava em São Carlos e estava em busca da indicação de um estagiário. Fernão logo falou sobre Cristina. 

Do outro da linha, o representante da empresa frisou que queria a indicação de um homem. Fernão não hesitou e respondeu: “Ela é o melhor homem que eu tenho aqui”. Resultado: Cristina conseguiu o estágio e trabalhou na empresa durante os últimos seis meses do curso, em 1985.