Tecnologia gaúcha rumo às estrelas. Foto: flickr.com/photos/theodevil/

A AEL Sistemas, braço da israelense Elbit no Brasil, assume o papel de puxar o trem do polo espacial gaúcho. O começo do projeto é a entrada da AEL na segunda etapa do edital Inova Aerodefesa, da Agência Brasileira da Inovação (Finep).

A empresa gaúcha, que desenvolve sistemas na área de defesa civil, com clientes como o Exército e Aeronáutica, apresentou o projeto piloto de um microssatélite, no valor de R$ 43 milhões, se classificando ao lado de outras 69 empresas de todo o país.

Para afinar o projeto, que ainda passará por mais duas etapas de avaliação pela Finep, a empresa quer se aproximar de instituições de educação e outras empresas com soluções que possam agregar ao projeto do satélite.

Nesta terça-feira, 23, representantes da AEL participaram de reunião na Sala do Investidor, na Secretaria de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (SDPI), para reforçar este propósito.

Foi a primeira reunião do grupo que compõe a iniciativa, que segue o protocolo de intenções para o polo espacial gaúcho, assinado com o governo do estado em maio, em viagem à Israel.

Para Vitor Neves, vice-presidente de operações da AEL, as universidades contam com uma posição privilegiada quanto à inovação na área espacial, e a fabricante quer a participação delas para reforçar a presença gaúcha nesta e nas futuras licitações do programa espacial nacional, que envolvera de R$ 9 bilhões na construção de satélites nos próximos anos.

"São oportunidades de mercado completamente novas, e vejo que as pesquisas que realizamos por aqui tem competência para rivalizar com tecnologias de nível internacional", frisou.

Inicialmente, participam da iniciativa a UFRGS, PUC-RS e Unisinos, que estiveram na missão em Israel, e a Universidade Federal de Santa Maria. Para a AEL, a iniciativa do microsatélite pode atender a diversas demandas do setor público, como defesa e georeferenciamento em questões ambientais.

Para Ghissia Heuser, secretária-adjunta de Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico, que representou o titular Cleber Prodanov na reunião, os microsatélites representam um mercado estratégico e promissor para o estado.

"Diferente dos satélites tradicionais, os microssatélites podem ser customizados para atender a necessidades específicas, empregando um grau de complexidade relativamente menor”, explica a secretária.

O resultado definitivo da seleção das empresas pelo Finep está previsto para o dia 12 de agosto. Até lá, a comissão do polo espacial pretende realizar reuniões semanais com universidades e empresas, para definir questões técnicas do projeto.

"As universidades agora trarão suas propostas para agregar valor ao projeto do microssatélite, em encontros e workshops para elaborar o projeto que mostre, além da inovação tecnológica, viabilidade econômica", finalizou Heuser.