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DPSP migra SAP para a AWS

23/05/2022 04:52

Grande grupo do setor de farmácias aposta em computação na nuvem.

Atendente na Drogarias Pacheco. Foto: Divulgação.

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O Grupo DPSP, responsável pela Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo, está migrando o seu sistema de gestão S/4 da SAP para a nuvem da AWS, em um projeto com consultoria da Deloitte que deve se estender até 2023.

Em nota, as empresas revelam que esse é o “maior investimento em TI da DSDP em uma década”. A meta é colocar 100% da operação da empresa na nuvem, indo do financeiro à gestão das lojas. 

A primeira fase, cujo go live foi em dezembro de 2020, com o upgrade do SAP S/4 Hana e a migração de todo o back office na nuvem.

“Em 2020 estudamos muito a plataforma SAP e escolhemos construir juntos a parte mais importante e mais relevante da nossa transformação digital”, afirma Cristiano Hyppolito, diretor de Tecnologia e Digital do Grupo DPSP. 

No início deste ano começou a implementação dos processos de varejo para a nuvem, incluindo integração com o e-commerce e a flexibilidade do store pick-up. 

Em paralelo, a DPSP está adotando também o software de gestão de recursos humanos SuccessFactors, que roda na nuvem. 

O projeto acontece dentro do programa Rise with SAP, por meio do qual a multinacional trabalha com parceiros selecionados para acelerar a migração para a nuvem de grandes clientes.

O Grupo DPSP é uma das principais empresas do varejo farmacêutico brasileiro, com um faturamento de R$ 12 bilhões, 26 mil colaboradores e mais de 1.400 lojas espalhadas em oito estados brasileiros e no Distrito Federal.  

DISPUTA DAS NUVENS

O fato da DPSP ter escolhido da AWS mostra que o maior player de nuvem pública do mundo é também é um competidor no nicho de projetos de migração de clientes SAP para a nuvem.

É um campo no qual o Google Cloud vinha buscando despontar.

A competição foi aberta para valer em abril do ano passado, depois que a SAP e a Microsoft decidiram terminar uma parceria comercial iniciada em 2019, pela qual a gigante alemã oferecia a Azure como opção preferencial para clientes interessados em rodar seus softwares de gestão na nuvem.

Dois meses depois, a SAP e o Google anunciaram uma “ampliação da parceria” entre as empresas, visando facilitar a migração dos clientes da SAP para o Google Cloud, assim como o uso de tecnologias de inteligência artificial do Google.

As duas companhias estão mais próximas que nunca. Para começar, o Google Cloud é presidido desde 2019 por Robert Enslin, um veterano com 30 anos de SAP, na qual ele era responsável justamente pelo negócio cloud.

Além disso, o Google decidiu trocar seu software financeiro da Oracle pelo S/4 Hana da SAP, adotando por tabela outras soluções na nuvem como o software de gestão de viagens Concur e o Qualtrics, para controle de experiência dos funcionários.

O Google se tornou assim um dos maiores clientes da SAP, acumulando ainda mais experiência de primeira mão sobre como rodar os softwares da companhia na sua própria nuvem.

RISE WITH SAP

Lançado em janeiro de 2021, o Rise with SAP envolve a migração para a nuvem do ERP, com a SAP ou parceiros selecionados assumindo suporte, serviços gerenciados e infraestrutura.

Os clientes podem ainda manter suas licenças on premise e os contratos de manutenção, cobrados no formato de subscrição, a forma tradicional de comprar software. 

O plano já começou com 130 clientes piloto na largada.

O segmento de varejo parece ter aderido bem. O Carrefour fechou um grande projeto para migração para o S/4, assim como C&C e Chilli Beans.

O programa foi pensado justamente para superar a resistência em migrar de grandes clientes, um problema para a SAP desde o lançamento em 2015 do novo ERP, por uma combinação de fatores.

O S/4 roda em um banco de dados em memória, o que é um investimento adicional, e rodar software na nuvem requer abandonar uma série de customizações que as empresas desenvolveram ao longo do tempo.

A SAP reconheceu a situação em fevereiro de 2020, ao anunciar uma prorrogação da manutenção das aplicações da família Business Suite 7, conhecidas no mercado como ECC, até o final de 2027, aumentando assim em dois anos o prazo inicialmente estabelecido para 2025.

Além dos dois anos a mais de manutenção normal, ou mainstream, no jargão interno da SAP, a empresa também se comprometeu a manter a chamada manutenção estendida até o final de 2030.

A decisão aliviou a pressão sobre os clientes para migrar para o S/4, porque o fim do suporte ao ECC significaria um aumento de preços para seguir rodando os sistemas.

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