PAGAMENTO

Ações da Linx em queda

23/04/2019 14:08

Decisão do Itaú sacudiu o mercado e os prospectos da companhia.

Ações da Linx, PagSeguro e Stone estão em queda com o ataque do Itaú. Foto: Pixabay.

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As ações da Linx, companhia brasileira especializada em software de gestão para o varejo, levaram um tombo nos últimos dias, passando de R$ 36 na terça-feira, 16, para um mínimo de R$ 29,55 na quinta, 18, uma queda de 19,5%, e sendo negociadas no momento na faixa de R$ 31.

A queda aconteceu logo depois do Itaú sacudir o mercado com o anúncio de que vai deixar de cobrar taxas pelo adiantamento do pagamento dos valores pagos nas máquinas da Rede para os lojistas, quando eles forem clientes do banco.

A Linx divulgou um comunicado a investidores nesta terça-feira, 23, comentando sobre a oscilação. 

De acordo com a empresa, a mesma “pode estar relacionadas às recentes ofertas anunciadas por adquirentes ligadas aos bancos de varejo, que tem gerado incerteza no mercado sobre às suas iniciativas no segmento de meios de pagamentos”. 

Apesar de ter feito o diagnóstico correto, a Linx optou por desconversar na nota: em vez de falar em pagamentos, preferiu apontar ao seu posicionamento no mercado de software de gestão para varejo, no qual é líder, com uma participação de 41,3%.

“É importante ressaltar que a Linx mantém o seu foco na criação de valor para o varejista com uma plataforma disruptiva end-to-end que combina software de gestão, e-commerce e omnichannel que permanece como seu principal fonte de receita e crescimento. As iniciativas relacionadas ao mercado de adquirência continuam de acordo com seu plano de negócios, mas ainda são pouco representativas em relação à receita total da companhia”, argumenta a Linx. 

Desde a abertura de capital na Bolsa de Valores, em 2013, as ações da Linx tiveram relativamente pouca variação. A maior parte do tempo elas giraram na faixa dos R$ 20. 

A partir do final de 2018, no entanto, elas valorizaram muito, saindo de R$ 15 em setembro daquele ano para um pico de R$ 38 em abril.

O período de estabilidade aconteceu quando a Linx era vista pelos investidores primariamente como um player de software de gestão. 

A grande alta coincide com o lançamento do Linx Pay, a entrada da Linx no meio de pagamentos e a expectativa dos investidores em torno disso.

Em um ano, as ações da Linx já subiram 70%, muito embaladas pela promessa de lucratividade da nova operação.

De acordo com  o Brazil Journal, a Linx vinha fazendo a seguinte conta para os investidores: se converter metade dos R$ 250 bilhões que passam pelos seus sistemas de gestão em pagamentos processados pela Linx Pay, seu faturamento pode triplicar nos próximos anos. 

Cobrando 1,3% por transação, o novo empreendimento se traduziria em uma receita anual de R$ 1,6 bilhão – mais de duas vezes o faturamento atual.

Num evento realizado pelo Bradesco BBI, a Linx afirmou o valor total processado (TPV) pela Linx Pay está em R$ 850 milhões e vem crescendo 20% a cada semana.

A título de comparação: a Stone processou R$ 86 bilhões em 2018 – 72% a mais que em 2017 – e a PagSeguro, R$ 76 bilhões, o dobro do ano anterior.

A movimentação do Itaú causou impactos nas ações de novos concorrentes como PagSeguro e Stone, que recentemente fizeram aberturas de capital nos Estados Unidos e tiveram quedas de 10% e 20%, respectivamente. 

A PagSeguro já reagiu, divulgando que vai pagar na hora os lojistas que usarem as maquininhas da empresa nas vendas no débito ou no crédito. A empresa seguirá cobrando taxas, o que torna a medida uma reação um pouco menos efetiva.

A Linx precisará pensar em alguma reação ou as ações podem seguir caindo.

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