Argentina quer substituir o Brasil como destino de investimentos. Foto: Shutterstock.

A Argentina quer aproveitar a turbulência em curso no Brasil para roubar a posição de exportador número um de serviços de desenvolvimento de software e outsourcing de serviços.

O plano foi detalhado por Carlos Gabriel Pallotti, subsecretário para tecnologia do Ministério de Produção, Ciência e Tecnologia da Argentina, em entrevista ao Nearshore Americas, um portal especializado em cobrir a América Latina como destino de oustourcing.

“O Brasil está em um momento muito difícil em termos econômicos e políticos. Não é a hora cerca para se instalar por lá. Então nós estamos dizendo, porque não considerar a Argentina no lugar do Brasil”, aponta Pallotti.

A meta argentina é alcançar US$ 1 bilhão em exportação de serviços, criando 80 mil empregos nos próximos anos. Outra parte da meta é treinar 100 mil programadores nos próximos anos. 

O setor será alavancado a partir de 20 a 25 cidades de menor porte, desconcentrando o mercado de Buenos Aires e Córdoba. Na entrevista, Pallotti não chega abrir as cifras atuais de exportações da Argentina no momento.

A título de comparação, os últimos dados disponíveis para exportações de TI do Brasil, compilados em um estudo da Brasscom, falam em US$ 2,3 bilhões em exportações, entre software, operações internacionais de empresas, BPO  e serviços.

O assunto da promoção do Brasil como um centro de exportação de software, que decolou por 2010, com o lançamento de um estudo da McKinsey sobre o tema patrocinado pela Brasscom, parece ter saído de cena.

Na época, a meta era encostar em Estados Unidos, Índia e China em exportações de TI até 2020 chegando a US$ 20 bilhões em exportações. 

O auge da estratégia foi a participação do Brasil como país parceiro da Cebit em 2012, com direito a presença da presidente Dilma e uma grande delegação brasileira.

Desde então, a meta saiu da agenda, substituída nos últimos pela luta pela desoneração da folha de pagamentos (iniciativa, que, ela mesma, teve um revés recente quando o governo federal decidiu dobrar a alíquota “desonerada”).

A Argentina tem a seu favor que a política de promoção de exportações é parte da agenda de um governo no início, que conseguindo emplacar reformas de abertura econômioca em   um ritmo acelerado.

“O setor de tecnologia é o único que tem uma seção especial para trabalhar junto ao setor privado sobre como promover crescimento”, explica Pallotti.

Pallotti fundou uma companhia especializada em software para gestão de ativos na Argentina nos anos 80. Na década seguinte, foi VP para América Latina da Datastream, uma multinacional do mesmo segmento adquirida em 2006 pela Infor por US$ 216 milhões.

Até o final do ano passado, o executivo era diretor de Novos Negócios da Censys, uma companhia local focada em desenvolvimento de software para o setor financeiro. O profissional também liderou diferentes entidades ligadas ao setor de TI no país.

Pallotti não está sozinho. O novo presidente argentino, Maurício Macri, usou um headhunter para fechar algumas posições no governo. A ministra das Relações Exteriores, Susana Malcorra, dirigiu a IBM no país.

Enquanto isso, no Brasil, o último ministro de Ciência e Tecnologia é o deputado federal em primeiro mandanto Celso Pansera (PMDB). Seu currículo inclui a gestão do restaurante Barganha, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.