A América Latina reúne cerca de um terço das fontes de água do planeta. Foto: Pexels.

A IBM anunciou que está testando o FlowDiscovery, tecnologia inédita analisa o fluxo de líquidos, como água, petróleo e dióxido de carbono, em meios porosos, como rochas ou solo. 

O novo software baseado em nuvem e com IA embutida, desenvolvido por pesquisadores do laboratório de pesquisa da IBM Brasil, tem o objetivo de otimizar o uso de recursos naturais e reduzir o impacto ambiental provocado por processos industriais.

O protótipo de pesquisa está sendo aplicado na indústria de petróleo pela Solintec, fornecedora de serviços geológicos integrados para o setor de óleo e gás no Brasil, com o objetivo de melhorar a extração do petróleo preso nas rochas dos reservatórios.

No Instituto de Física de São Carlos, da USP, pesquisadores estão usando o FlowDiscovery para conduzir pesquisas científicas em física de rochas digitais, combinando a análise de dados experimentais com simulações avançadas de computador.

Na prática, a tecnologia funciona em três etapas. Na primeira, o usuário orienta o sistema de inteligência artificial na composição dos complexos fluidos que serão usados no processo. 

Em uma segunda etapa, com base em dados microscópicos de imagem, o usuário cria uma representação digital em 3D da rede de capilaridade que permitirá simular o fluxo do líquido preso e criar cenários de recuperação otimizados. 

Na etapa final, o usuário pode validar os resultados da simulação por computador em um dispositivo de fluxo dedicado, fornecendo validação de laboratório antes da aplicação em campo.

Segundo a empresa, o software tem grande potencial para ser aplicado e trazer benefícios aos setores de agricultura, energia, engenharia civil e gerenciamento de recursos naturais, nos quais o uso ineficiente da água seria um dos maiores problemas.

“Esperamos que o FlowDiscovery seja amplamente utilizado para investigar problemas que envolvam o fluxo de líquidos, ajudando a limitar o uso de recursos valiosos, como a água, no processo de produção industrial”, afirma Mathias Steiner, pesquisador principal do projeto e gerente da IBM Brasil para tecnologia e ciência industrial.

As pesquisas que resultaram no FlowDiscovery começaram com análise de amostras de rochas de reservatórios de petróleo devido à alta fração do material, que fica confinado em minúsculos capilares e não pode ser extraído. 

De acordo com a IBM, seria algo parecido com o que acontece com a água presa dentro de uma esponja. O mesmo acontece com o petróleo preso nas rochas.

Com a Solintec, o objetivo é criar e implementar um processo que se beneficie dos dados existentes sobre exploração de petróleo, especificamente registros de poços e análises geológicas, para criar simulações de computador de alta precisão.

“Acredito que juntos iremos desenvolver uma solução em escala comercial, com grande potencial para transformar o processo de extração de petróleo e impactos positivos ao meio ambiente”, afirma Felix Gonçalves, diretor de desenvolvimento de negócios da Solintec. 

Já na USP, a colaboração científica visa testar novos algoritmos e técnicas de análise de dados para benefícios futuros à economia brasileira, assim como promover a colaboração entre indústria e academia.

A IBM Research conta com mais de três mil pesquisadores em 12 laboratórios, sendo um localizado no Brasil, em São Paulo, inaugurado em 2011. 

Os cientistas brasileiros atuam de forma integrada com os pesquisadores da IBM ao redor do mundo.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para agricultura e alimentação, aproximadamente seis bilhões de pessoas viverão em cidades sem abastecimento de água suficiente até 2050 se os padrões atuais de uso e gerenciamento da água permanecerem os mesmos.

A América Latina reúne cerca de um terço das fontes de água do planeta, mas também tem alto desperdício de água, principalmente devido ao uso ineficiente.

Somente no Brasil, a cada segundo são retirados dos rios 2,3 milhões de litros de água para uso industrial.

Em relação à extração de petróleo, mais de 50% do petróleo presente nos reservatórios do mundo fica retido em capilares rochosos e não pode ser extraído.