Michael Dell durante o Dell World.

A Dell quer ser reposicionar no mercado como um player central no novo ambiente de cloud híbrida, ajudando as empresas a reduzirem custos com seus legados de TI para liberar recursos para os investimentos na chamada transformação digital.

Dito assim em três linhas até parece simples, mas é uma mudança radical para uma empresa que viveu seus dias de glória como uma das líderes do hoje moribundo mercado de PCs e agora está tentando se reinventar. 

O último passo nessa jornada foi a compra da EMC, o maior negócio da história do mercado de tecnologia, que foi um dos pontos de destaque do Dell World, evento mundial da companhia que encerrou nesta quinta-feira, 22, em Austin.

“A EMC custou US$ 67 bilhões. Mas ser o mestre o seu próprio destino não tem preço”, brincou um bem humorado no seu keynote, fazendo um trocadilho com as propagandas da Mastercard e o fato de agora ter voltado a ter controle total da companhia que fundou.

Em uma entrevista com jornalistas latino americanos, Dell descreveu a compra da EMC como o “ato 2” de uma estratégia que começou com o fechamento do capital da empresa em 2013, uma medida que abriu as portas para o CEO tomar medidas radicais de reposicionamento sem necessitar dar explicações a acionistas ansiosos a cada trimestre.

No entanto, Dell deu poucas pistas sobre como vai funcionar na prática a integração das duas empresas, que promete ser um desafio e tanto: além de integrar a EMC com a Dell, a empresa precisará definir suas relações com a VMware, VCE, Pivotal, RSA e outras companhias que a EMC administrava em um sistema “federativo” com bastante autonomia para os envolvidos.

“Nós vamos criar uma família de negócios estrategicamente alinhados”, disse Dell durante o seu keynote, dando uma ideia do como deve funcionar o “ecossistema Dell” daqui para frente.

A organização pode significar inclusive trabalhar junto com concorrentes. Os produtos de infraestrutura convergente da VCE, uma companhia controlada pela EMC, seguirão incluindo servidores da Cisco, por exemplo.

Durante o Dell World, Michael Dell e Satya Nadella, CEO da Microsoft, anunciaram juntos uma extensão do acordo existente entre as duas empresas, pelo qual a Dell vende projetos de infraestrutura que incluem parte do processamento na nuvem Azure.

O acordo mostra o tipo de negócio no qual a Dell quer se envolver: projetos de ponta a ponta envolvendo PCs, servidores, storage e switches para data centers locais e a camada de software necessária para orquestrar isso com serviços de computação em nuvem pública.

“A indústria de TI é engraçada. Sempre que surge uma tendência nova, se diz que ela vai destruir tudo que havia antes, quando na verdade nunca é assim”, comenta Dell, para quem o barulho em torno de novos players como a Amazon Web Services não é totalmente justificado.

De acordo com estimativas citadas por Dell, apesar de toda a falação em torno do tema, apenas 10% do processamento de dados das empresas é feito em serviços de nuvem pública, um negócio no qual a Dell não pretende entrar.

Dell acredita que a abrangência do novo portfólio da Dell, combinado com a conhecida excelência da empresa em logística e vendas, tornam a empresa o parceiro que os CIOs precisam para cortar o custo dos seus legados de TI e focar em projetos estratégicos de transformação digital dos seus negócios com tecnologias de mobilidade, Big Data e Internet das Coisas.

IoT foi um assunto recorrente durante o Dell World. A visão da empresa é que, ao permanecer no negócio de PCs, a Dell detém a capacidade de produzir o equipamento necessário para transformar projetos de Internet das Coisas em realidade, como sensores e outros equipamentos que geram, transmitem e armazenam as informações.

“Somos uma powehouse do mundo de soluções empresariais. Vamos ajudar a definir a tecnologia dos próximos 30 anos”, garante Dell.

* Maurício Renner cobriu o Dell World em Austin a convite da Dell.