Márico Machado é o coordenador do primeiro Parque Tecnológico da rede Ulbra. Foto: Divulgação.

A Universidade Luterana do Brasil lançou oficialmente nesta quarta-feira, 22, sua Rede Ulbra de Inovação com o Ulbratech. Das 15 unidades da instituição no Brasil, a de Canoas é a primeira a ter um parque tecnológico.

Com um prédio na área de 6 mil metros quadrados, no local serão abrigadas empresas das áreas de petróleo, gás e energias renováveis, metal-mecânica, tecnologia da informação e biotecnologia.

Conforme o coordenador da Ulbratech, Márcio Machado, esses setores estão de acordo com as vocações da região em que a universidade está inserida.

“Estamos dois anos atrasados em relação aos parques tecnológicos da Unisinos e PUC, dos quais nos espelhamos muito. Mas acreditamos que estamos iniciando com uma maturidade muito boa”, resume.

Parte da conta do atraso pode ser devida à crise institucional e financeira que a Ulbra passou no final de 2008 e resolveu com acordos junto à União ao longo dos últimos anos.

O trabalho nos bastidores durou cerca de dois anos com investimentos em pesquisa e debates com um grupo de professores. Os valores não foram mensurados, conforme o coordenador.

Já a construção da infraestrutura teve o apoio financeiro de instituições como Finep, Cnpq, Fapergs e Sebrae. Os gastos não foram divulgados pela Ulbra.

“Um dos motivadores para as empresas ingressarem no parque tecnológico é o número de alunos, o que rende mão de obra em quantidade e qualidade”, diz.

O parque tem capacidade para receber 20 empresas e a incubadora onze. Antes da apresentação de seu espaço físico, a Ulbratech já firmou parcerias.

No Parque Tecnológico estão alocadas a Ibrowse, fábrica de software, HRPC, empresa de pesquisas clínicas, Creare, soluções em automação e UlbraTV e PopRock, respectivamente emissora de TV e rádio FM da universidade.

Na incubadora, estão as startups SKYUP, desenvolvimento de sistemas para ensino à distância, Premium, pesquisa e desenvolvimento da área petroquímica, Cellvet, pesquisa e desenvolvimento na área de células tronco para tratamento de animais, e Táxi do Brasil, automação veicular.

A próxima fase do projeto é finalizar a reforma de um prédio que vai triplicar a capacidade da incubadora, chegando a 35 espaços.

Já em 2014, a Ulbratech almeja ocupar a área de 10 hectares aos fundos do campus para desenvolver planos na área de energia eólica.

O objetivo da Rede Ulbra de Inovação é que as 15 unidades tenham no próximo ano pelo menos um espaço para incubação.

“Até 2020 queremos ser uma referência em processos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico nas áreas definidas como prioritárias para cada região”, explica.

A Universidade conta com outros campi nos municípios gaúchos de Cachoeira do Sul, Carazinho, Gravataí, Guaíba, Porto Alegre, Santa Maria, São Jerônimo e Torres, além de ter representatividade nos estados de Rondônia (Ji-Paraná e Porto Velho), Amazonas (Manaus), Tocantins (Palmas), São Paulo (Sertãozinho), Pará (Santarém) e Goiás (Itumbiara).

iULBRA
A incubadora iULBRA oferece infraestrutura com auditórios, salas de reunião e apoio a eventos. Os projetos podem permanecer incubados até dois anos, prorrogáveis por mais um, após acompanhamento trimestral e avaliação anual.

São três modalidades de incubação: interna, onde a empresa se instala fisicamente dentro da incubadora utilizando a estrutura disponível; externa, onde a empresa utiliza apenas os serviços de apoio oferecidos; e a pré-incubação, fase em que o empreendedor desenvolve um plano de negócios, visando preparar-se para o ingresso na iULBRA.

Os interessados em fazer parte da iULBRA, podem acompanhar os editais semestrais através do site. O processo seletivo passa por um plano de negócios e entrevista.

CANOAS CORRE ATRÁS
O município tem outros projetos para crescer em pesquisa e tenologia, entre eles o Instituto Empresarial de Incubação e Inovação Tecnológica (Ieitec) e o Parque Canoas de Inovação (PCI).

Anunciado em janeiro de 2011, o PCI terá sete áreas temáticas: tecnológica, social e comunitário, conhecimento, natural, serviços, pública e científica. O projeto tem um investimento calculado em R$ 100 milhões.

Junto com a UniRitter, UniLassale e Instituto Federal de Educação, Refap, Seabrae/RS, IETEC, Simecan e IFRS Canoas, a  Ulbra faz parte do Instituto Canoas Inovação (ICI), um dos braços da administração do parque.

Em área de 500 hectares na fazenda Guajuviras, o PCI será o terceiro maior parque do Brasil, e o potencial de geração de empregos após a implantação será de 34 mil postos, informa a prefeitura de Canoas.

Conforme aponta a pesquisa do IBGE de 2009, o município possui o segundo maior PIB (R$ 16.444.476) e a quarta maior população do estado, segundo o Censo de 2010, com mais de 324 mil habitantes.