por FCJ
EXPANSÃO

FCJ Venture Builder faz captação Série A

22/07/2021 08:45

Empresa criada em 2013 faz captação com family office de origem japonesa.

Paulo Justino, fundador e CEO da FCJ Venture Builder. Foto: divulgação.

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A trajetória de sete anos bem-sucedidos, dedicados a promover sinergia entre ecossistemas de inovação e grandes corporações no Brasil, com crescimento anual acima de 120%, credencia a FCJ como referência em Venture Builder, um modelo de negócio lançado no Brasil em 2013 e que avança mundo afora. 

O objetivo dessa rodada de captação é alavancar a expansão internacional da FCJ, tendo em vista que a empresa já se encontra incorporada em Lisboa e nos EUA, além de também estar presente na Finlândia, Alemanha e México por meio do seu programa de partnership.

O grupo investidor de origem japonesa que liderou a rodada não autorizou a divulgação de sua marca por se tratar de um investimento estratégico. O grupo acompanhou e monitorou o desenvolvimento da FCJ durante os últimos 16 meses, e o valor total da rodada foi de R$ 6,5 milhões. 

“Transformamos o jeito de fazer negócio ao criar um modelo de empresa exponencial, ExO. Escalabilidade e diluição de risco são alicerces do nosso modelo inovador de gestão corporativa”, afirma Justino, fundador e CEO da FCJ Venture Builder.

O plano de expansão internacional está baseado no “FCJ Global Partnership Program”, que é composto pelos programas de Business Partners e Country Partners, que têm foco no licenciamento do modelo de Corporate Venture Builder, e pelo programa de Soft Landing, que, por meio da Bridge Brazil e da StartupWin, tem como objetivo propiciar condições para que startups de todo o mundo façam negócio no Brasil utilizando a rede e o networking da FCJ. Como se diz no jargão do grupo, ser “buildado” no Brasil.

Entenda cada uma das 3 modalidades:

Business Partners: São profissionais de diversas áreas, com mindset empreendedor, ligados ao ambiente de inovação e com atuação internacional, previamente credenciados para oferecer o modelo de Corporate Venture Builder e Soft Landing às suas respectivas redes de relacionamento em âmbito internacional.

Country Partner: É o parceiro credenciado e capacitado para atuar em outro país, responsável pela operação e por representar a FCJ localmente. É dedicado a coordenar os trabalhos dos Business Partners, desenvolver o modelo de Corporate Venture Builder nas organizações e levar o Soft Landing às startups. 

Soft Landing: É o programa de expansão de mercado para outros países, inicialmente oferecido para a entrada de startups no Brasil por meio das empresas Bridge Brazil e StartupWin, que são parte do grupo FCJ.

“Um dos principais pontos do programa é a estratégia de staff-on-demand, que credencia parceiros sob medida e constitui um dos principais atributos de uma ExO. A FCJ é uma empresa exponencial e o programa de expansão internacional não poderia ser diferente”, afirma Cris Madureira, cofundadora e Diretora da FCJ Venture Builder nos Estados Unidos e responsável pelo programa.

O Venture Builder 4.0, modelo proposto pela FCJ, tem como ponto central a inovação aberta (open innovation) ao invés da criação de startups, como é feito no modelo tradicional de Venture Builder. Dessa forma, o modelo 4.0 inclui, ainda, a criteriosa seleção das startups existentes no mercado, independentemente do estágio em que elas estejam. Assim, a FCJ passa a atuar como sócio estratégico dessas empresas, de modo a complementar as necessidades das startups para que os founders possam manter o foco na inovação e no core business do negócio.

Outro diferencial do modelo 4.0 é a preservação do captable da startup para que esta possa ter condições de realizar novas rodadas de investimento. Dessa forma, a participação da Venture Builder 4.0 sempre será reduzida.  

Um dos pontos-chave do sucesso alcançado pelo modelo está alicerçado no fato de os empreendedores se verem livres para validar seu modelo de negócio, enquanto as atividades de retaguarda são compartilhadas pela Venture Builder, que complementa as competências que o empreendedor, sozinho, não teria.

“Em síntese, o objetivo do Venture Builder 4.0 é compartilhar recursos, otimizar o processo de desenvolvimento de startups, mitigar os riscos desse tipo de investimento, gerar conexões entre negócios e, assim, criar novos negócios escaláveis focados em receita, pois o melhor recurso é o gerado pelas vendas”, conclui Paulo Justino.

Conceitos que parametrizam o modelo de negócio FCJ

Corporate Venture: É o processo de aproximação de empresas com soluções inovadoras, que agregam ao negócio novos métodos, processos, produtos, serviços ou mesmo novas companhias.

Para atender a essa necessidade, surgiram, nos últimos 20 anos, vários modelos diferentes, desde incubadoras, aceleradoras, programas de aceleração corporativa, desafios (challenges) para startups, matchmaking com startups, Startup Studio ou Venture Builder Studio e, mais recentemente, o Corporate Venture Capital e o Corporate Venture Builder.

Corporate Venture Capital (CVC): São fundos criados com recursos de uma empresa para investir em startups e novos negócios.

O objetivo é investir em startups ou empresas que possam resolver as “dores” da organização e que já estejam, normalmente, em estágio mais avançado. Esse é um instrumento estratégico da organização visando à inovação, sendo que o grande desafio dos gestores passa a ser o processo de seleção, investimento e acompanhamento do portfólio investido.

Nesse cenário, o CVC passa a concorrer na busca de oportunidade a ser investida — deal flow — com todo o mercado de Venture Capital e grupos de anjos e, em alguns casos, até com o Private Equity, passando a pescar em oceano vermelho, tendo em vista a alta liquidez apresentada nos últimos anos. Em uma visão mais estratégica, é possível identificar a necessidade de se criar o CVC com um CVB, buscando a otimização da Inovação Corporativa.

Corporate Venture Builder: É o processo de implantação do modelo de Venture Building junto às grandes empresas e tem como objetivo selecionar e desenvolver soluções que atendam às dores dessas organizações. Normalmente, o CVB tem como foco o horizonte H3 e, eventualmente, o H2, nomenclaturas propostas pela McKinsey em “Enduring Ideas: The three horizons of growth”.

Seguindo o modelo tradicional de inovação, que figurou nas empresas desde a revolução industrial, foi na área de pesquisa e desenvolvimento (P&D) que surgiu o modelo de Venture Building ou Startup Studio, tratando os projetos internos como startups e promovendo o spin-off sempre que possível. Porém, com a aceleração da inovação e a concorrência cada vez mais rápida, as empresas devem expandir o seu foco para além de sua própria capacidade de inovar.

Nesse cenário, o Corporate Venture Builder 4.0 tem como foco a inovação aberta (open innovation), sendo um instrumento estratégico das organizações, no qual existe um alinhamento dos projetos criados internamente e a prospecção e seleção de startups externas. Ainda, seus principais benefícios são a complementaridade dos negócios, aproximação do mindset empreendedor, retorno financeiro sustentável, atração e retenção de talentos, entre outros.

O Corporate Venture Builder, diferentemente do Corporate Venture Capital, seleciona e desenvolve startups em estágios mais iniciais, geralmente olhando os horizontes H2 e H3 e aproximando-se dessas empresas em momentos antes do Venture Capital. Essa abordagem é possível somente com processos, metodologias e ferramentas de gestão e acompanhamento consolidados (é um trabalho hands-on), o que reduz significativamente as incertezas dessas fases. 

Dessa forma, é possível navegar em um oceano azul de oportunidades devido ao baixo interesse do Venture Capital nesse estágio e criar múltiplas oportunidades de retorno. Ainda, para as companhias, há um acesso a soluções disruptivas antes mesmo dos concorrentes. Para Justino, “o segredo está em sair na frente, e não correr atrás”.

É um fato que as startups, ao longo de suas jornadas, precisarão de recursos financeiros. Nesse momento entra o CVC, aportando recursos nas startups do CVB, as quais já se comprovaram viáveis. Nesse estágio, as startups já estão atendendo às dores da companhia e de seus clientes, com um modelo de governança e com a situação jurídica e fiscal consolidados. 

Por fim, segundo o executivo, essa rodada de captação faz parte de um planejamento de longo prazo que prevê novas rodadas de captação, mantendo a taxa de crescimento da organização acima dos 3 dígitos anuais. 

Atualmente, o grupo possui 82 startups ativas em seu portfólio, 382 investidores, 76 executivos e 31 empreendimentos, entre Venture Builders, Corporate Venture Builders, grupos de anjos e rede de franquia de startups. 

Entre as startups do portfólio, algumas estão em estágios mais avançados, como o Psicologia Viva, que recentemente fez uma fusão com a Conexa; Doutor ao Vivo; Avulta; Maxbot; XLZ; Cliente Fiel; Agrorigem e Destock. Ainda, a PHP Biotech se destaca por ser a primeira startup de biotech do grupo.