Teria que clicar mais dois campos nessa tela, para não dar tudo errado.

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Um funcionário terceirizado da Wipro clicou mal em alguns campos de um software que parece ter sido feito no começo da década de 90, com o resultado de que o Citibank fez uma transferência para clientes de quase US$ 1 bilhão que não deveria fazer.

Agora, uma corte em Nova Iorque decidiu que a parte dos clientes que se negou a devolver o dinheiro não precisa fazê-lo, porque a culpa é do Citibank.

A história, uma bela lembrança sobre porque é importante investir em boas interfaces de usuário, foi trazida pelo The Register.

Em agosto do ano passado, um funcionário terceirizado da Wipro deveria fazer o pagamento de US$ 7,8 milhões, referentes a juros sobre um empréstimo feito por clientes do Citibank. 

Para fazer essa operação, ele deveria clicar em três campos e informar três contas, dentro do que parece uma versão antiga em tons de cinza do Flexcube, uma solução de core banking da Oracle.

Ele clicou em um campo e informou uma conta, com o resultado de que a operação não foi de pagamento de juros, mas no valor total do empréstimo, que naquele momento chegava a US$ 894 milhões. 

Claro que transferências nesse valor precisam de aprovações adicionais. O Citibank tem até um nome charmoso para isso: “six eyes policy”. E elas foram dadas, pelo gerente local do funcionário, assim como por um gerente sênior do Citibank. 

Assim, o valor total do empréstimo, que deveria vencer em 2023, foi pago de volta a 315 credores, uma transferência 114 vezes maior do que a necessária.

No dia seguinte, alguém notou o erro, e o Citibank correu atrás do dinheiro. A maioria dos credores devolveu. Menos 10, que haviam embolsado em conjunto US$ 500 milhões. 

O Citibank decidiu entrar na justiça americana, mas o juiz não teve muita compreensão pelos problemas do banco em fazer transferências corretas de dinheiro.

“Os credores acreditam que os pagamentos eram intencionais. De fato, acreditar que o Citibank, uma das instituições financeiras mais sofisticadas do mundo, cometeu um engano que nunca aconteceu antes, no valor de quase US$ 1 bilhão, seria quase irracional”, resumiu o juiz.

Como o valor transferido diz respeito apenas ao emprestado, o Citibank não teria direito a recuperar o dinheiro, aponta a sentença. 

Os fundos estão congelados por uma liminar obtida pelo Citibank, que vai recorrer.