Edenize Maron.

O Grupo Rodobens, um dos maiores conglomerados dos setores automotivo, financeiro e imobiliário do Brasil, fechou um contrato de terceirização de suporte do seu sistema de gestão SAP ECC 6.0 com a Rimini Street.

Segundo nota da Rimini, a Rodobens deverá cortar em 50% suas taxas anuais de suporte, em comparação com os valores praticados com o fornecedor anterior, não revelado.

“Nosso principal foco era encontrar um parceiro de suporte para nos ajudar a maximizar o valor e tempo de vida de nosso atual sistema ERP. Estamso constantemente buscando atingir níveis mais elevados de eficiência com um orçamento de TI menor”, explica Marcos Adam, CIO do Grupo Rodobens. 

O modelo de negócio da Rimini é prestar manutenção terceirizada de software Oracle e SAP, sem fazer os upgrades de versão oferecidos pelas fornecedoras. 

No caso da Rodobens, o contrato inclui ainda suporte para atualizações nas áreas fiscal, legal e regulatória, incluindo a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e).

O negócio dá um impulso para a presença da Rimini no Brasil. Por aqui desde 2013, a companhia ainda engatinha, atendendo uma base de clientes que inclui Positivo Informática, Gol Linhas Aéreas e Atento.

Além disso,  a companhia também afirma atender 60 clientes que atuam na região, provavelmente multinacionais com contratos fechados pela matriz. Ao todo, a Rimini tem 1,1 mil clientes.

A situação atual dos orçamentos de TI, no entanto, é um incentivo poderoso para os CIOs brasileiros considerarem com mais carinho a oferta da Rimini.

Os investimentos em TI no Brasil cresceram 2,8% em reais no ano passado, segundo aponta a 11ª pesquisa anual sobre tendências de investimentos em Tecnologia da Informação da IT4CIO.

Frente a inflação, na faixa dos 10%, e principalmente da alta do dólar, de 41% no ano passado, esse aumento na verdade significa que o orçamento de TI das 1,4 mil empresas de grande e médio porte pesquisadas derreteu.

Não deve ter sido diferente na Rodobens, que tem negócios nas áreas de banco, consórcio, corretora de seguros, leasing e locação de automóveis, veículos comerciais e veículos seminovos, com sede no interior de São Paulo e faturamento na faixa dos R$ 4 bilhões.

A companhia é cliente da SAP desde 2008 e pode ser considerada um early adopter de tecnologias da multinacional alemã.

Foi uma das primeiras companhias no país a embarcar num projeto com SucessFactors, por exemplo. A implantação aconteceu no final de 2012, menos de um ano depois da SAP comprar a solução de gestão de recursos humanos na nuvem.

“A Rimini Street está ajudando empresas do Brasil a obter o valor máximo dos seus sistemas estáveis e maduros, e evitem atualizações caras e desnecessárias”, afirma Edenize Maron, gerente-geral da Rimini Street para a América Latina. 

Edenize, ex-vice-presidente para o Sul da América Latina na Software AG fez uma carreira de uma década na SAP, incluindo um período como country manager da subsidiária em Portugal. A executiva assumiu a Rimini no país em agosto no ano passado.

O argumento da Rimini é que os sistemas de gestão são na verdade softwares legados e que não vale a pena pagar o preço das atualizações oferecidas pelos fornecedores. 

É uma tese que deve doer na SAP, por exemplo, que no momento tenta emplacar o S/4, nova versão do ERP. Como outros players desse mercado, a gigante obtém uma parte importante das suas receitas de contratos de suporte.

A lista de soluções suportadas pela Rimini  inclui  Business Suite e BusinessObjects, da SAP e Siebel, PeopleSoft, JD Edwards, E-Business Suite, Oracle Database, Hyperion e Oracle Retail, da Oracle.

A Rimini é uma anã frente a Oracle e SAP. Mas no ano passado, aumentou a receita em 37%, atingindo US$ 118 milhões.