Telmo Costa, durante a apresentação do estudo.

O gaúcho acha que o estado vai bem e que a polarização e bairrismo não são entraves, mas até incentivos para a melhoria da situação.

As conclusões são de um levantamento com 400 moradores de Porto Alegre feito pelo Instituto Methodus para o Rio Grande do Sim, um movimento encabeçado pela ADVB-RS que visa conscientizar a população do estado sobre o problema representado pelo que a entidade vê como a “cultura do conflito e a tendência à polarização” imperante.

“Em conversas com lideranças empresariais, intelectuais e sociais vimos que a estagnação do estado nos últimos 10 anos era um tema recorrente e decidimos agir”, explicou Telmo Costa, presidente da ADVB-RS, durante um painel que apresentou o estudo na Semana da Propaganda nesta terça-feira, 20.

Muita ação será necessária, pois o estudo do Methodus, feito com uma mostra que segue a distribuição demográfica e social da capital –  que tem entre os grupos mais representativos entrevistados com entre 25 e 34 anos (24%),  ensino médio (41,8%) e renda de até cinco salários mínimos (53,5%) - mostra um abismo entre a percepção citada por Costa e a visão popular.

Para começar, os entrevistados não acreditam que o estado esteja perdendo espaço. O maior grupo (37%) acha que o Rio Grande do Sul está se desenvolvendo na mesma velocidade do resto da federação e 38% mais rápido que outros estados. Apenas 23% vem o estado abaixo do ritmo.

Questionados sobre o que define o povo gaúcho, 29% dos entrevistados disseram hospitaleiro, 19% bairrista e 15% guerreiro. Dos entrevistados, a maioria acredita que os gaúchos são "muito bairristas" (60,5%). Outros 19,5% "nem muito, nem pouco pouco" e 11% “pouco bairristas”.

A maioria dos entrevistados, no entanto, não vê bairrismo como uma característica negativa: para 48% acham que trata-se de um traço positivo, de amor e orgulho por uma região.

Outros 18% disseram que é uma "visão estreita de mundo que menospreza tudo aquilo que vem de fora" e outros 16,5% afirmaram ser a "defesa exagerada das virtudes de um povo".

Sobre o efeito do bairrismo no desenvolvimento do estado, 38% acreditam ser um fator neutro. A apenas 27% acreditam que a característica atrapalha o desenvolvimento. Para 34,5% o bairrismo facilita o desenvolvimento do estado.

Mesmo a polarização – com a qual 55% dos entrevistados concordam com a existência – é a apontada como um fator positivo para o progresso do estado por 21% dos entrevistados. Outros 22% acreditam que ela é um empecilho. 56% acham que a chamada “grenalização” do estado não tem efeito positivo ou negativo.

Dois alentos para os defensores do Rio Grande do Sim surgem da pesquisa do Methodus – que em breve deve ser estendida para todo o estado.

Primeiro, 9% dos entrevistados disseram conhecer a campanha, um resultado considerado positivo pela organização, que colocou a campanha na rua com um anúncio na Zero Hora faz duas semanas e tem investido em divulgação pelas redes sociais.

Outro fato é que as respostas dos gaúchos sobre as características positivas e negativas do estado parecem mostrar uma percepção inconsciente de que algo está errado, para qual a proteção acaba sendo um apego excessivo às tradições e uma consequente resistência ao novo que é justamente o que a iniciativa objetiva combater.

Os gaúchos apontam como características positivas do estado cultura/tradição (15%), povo (13%) e qualidade de vida (10%). No lado negativo, lideram segurança (17%), saúde (15%) e educação (7%).

“É fácil ver que as pessoas apontam como a principal característica positiva a cultura, que, por definição, não pode ser comparada. Temas como segurança, saúde e educação podem ser comparadas e lideram a lista das coisas na qual a população vê o estado mal”, analisa o professor do Departamento de Filosofia da Ufrgs Nélson Boeira, um dos convidados no painel.