Ezequiel Borges, diretor de Estratégia da PC.

Goiás terá até setembro sua primeira incubadora de empresas focada exclusivamente no setor de TI.

O Incubalog terá abertura para três empresas no edital inicial, que sai junto com o registro da instituição no MCT.

A incubadora é um desdobramento do Ceilog – Centro de Inovação em Logística, espaço inaugurado na cidade em outubro do ano passado pela PC Sistemas.

A empresa especializada em tecnologia para o segmento de distribuição fez um investimento de R$ 2,4 milhões no centro, que tem 5,5 mil metros quadrados e hoje tem 460 empregados.

Na época, o centro foi anunciado como o primeiro laboratório de RFID aberto pela iniciativa privada na América Latina.

De acordo com Maria Inês Miranda, diretora da Rede Goiana de Inovação, uma das parceiras do Ceilog, e consultora do projeto de estruturação do centro, Goiás soma sete outras incubadoras, mas todas com foco em áreas variadas.

“É um marco para o estado, pois ideias boas, são muitas, mas até agora faltava uma ajuda na formulação de processos de negócio, no fomento da gestão dos projetos, estrutura para produtização”, comenta ela.

A PC Sistemas vai oferecer apoio administrativo, de marketing, mas também laboratórios para execução e testes das soluções, explica Ezequiel Borges, diretor de Estratégia da PC.

Conforme os gestores, não há ainda uma definição do valor de recursos captados para a primeira leva de incubadas, já que o pontapé inicial dependo do registro junto ao MCT.

O que se sabe é que os investimentos serão captados junto a entidades como Finep, Funtec e Rede Goiana de Inovação.

O Ceilog, conforme faz questão de enfatizar o CEO da PC, Wagner Patrus, não é só da empresa.

“Trata-se de um instituto de pesquisa sem fins lucrativos. Contamos com parcerias corporativas, acadêmicas, de entidades e de governo”, conta ele.

Na área de entidades, entram Sebrae, Fieg, Fapeg, Sindinformática, Comtec, Aiesec, Sectec e Abstartup, além das já citadas.

Já a lista de universidades traz PUC-MG, FGV, UFG, Icil, Ipog, Fasam e Unievangêlica.

As alianças corporativas incluem nomes como Seal, Tecsidel, Bertolini, Intermec e Voccolect.

“São muitas empresas unidas neste projeto, que tem como meta aprimorar as tecnologias para o mercado de logística, buscando muito fortemente a padronização de soluções”, comenta Borges. “É fundamental que os sistemas, as plataformas, se comuniquem entre o armazém, o transportador, o atacado, o varejo e o modal”, reforça.

Para tanto, uma das parceiras é a GS1 - Associação Brasileira de Automação, cuja atuação foca exatamente padrões de identificação de itens em logística, distribuição e comércio.

PARA A LOJA DO BAIRRO
Algumas outras parcerias também garantem o destaque imediato, como a da Itautec, com a qual o Ceilog trabalha atualmente em dois projetos piloto de RFID para automação de check out de mercadorias no ponto de venda.

O primeiro, inclui um sistema que automatiza as funções do caixa e, segundo Borges, é voltado a varejistas de pequeno porte.

“Queremos atingir o lojista de vizinhança, por exemplo”, conta o diretor.

De acordo com divulgação da Itautec, a solução sai por cerca de R$ 10 mil por PDV.

Um piloto do projeto está em teste em um varejista goiano que a PC não revela, mas, segundo Wagner Patrus, deverá ser lançado ao mercado dentro de seis meses.

PILOTOS
Há outros pilotos em andamento no Ceilog, com a Tecsidel, na área de pick to light (automação de pedidos com identificação por luz), e Voccolect, em identificação por voz para armazéns, distribuidoras e atacados.

Outro projeto sendo testado no centro é em parceria com a Intermec, com RFID para inventário de unidades e de parques fechados.

Outros projetos incluem P&D em tecnologias como PCL (pick to light), voz, GIS, GPS, GPRS, sem falar na área de software, com trabalhos em Java, C, Android e outros.

“Focamos, ainda, a Internet, de olho em tendências como cloud, redes sociais e web 2.0”, comenta Patrus.

Além das soluções em si, o centro também quer gerar receita com propriedade intelectual e conteúdo, como estudos e outras publicações, sem falar em treinamento, licenciamentos e patentes.

QUEM É A PC
Além da sede, a PC tem unidades em Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Joinville, Porto Alegre, Fortaleza, Recife e Belém.

A carteira de clientes inclui 40% dos 50 maiores atacadistas distribuidores do Brasil, além de 34% das empresas de autosserviço, segundo dados da Associação Brasileira de Atacadista e Distribuidores (ABAD).

Além de atuar no Brasil, a empresa também vende para México, Angola e Portugal.

* Gláucia Civa viajou a Goiânia à convite da PC Sistemas