Marco Bravo.

Marco Bravo, ex-vice-presidente para América Latina da multinacional de pagamentos ACI, é o novo líder do Google Cloud Brazil, operação brasileira para a divisão de nuvem da gigante americana.

Bravo substitui João Bolonha que, agora, passa a ser diretor de estratégia de crescimento de Google Cloud para a América Latina.

O executivo esteve nos últimos dois anos na ACI, mas o seu histórico é em grandes empresas de tecnologia, incluindo a Microsoft, onde foi diretor de vendas por cinco anos.

Antes, Bravo trabalhou por sete anos na IBM. Ele ainda passou pelas companhias Rational Software e DSC Tecnologia.

O Google vem investindo pesado em contratações para estruturar sua oferta de nuvem no Brasil.

Em novembro, a empresa contratou Milton Larsen Burgese, ex-country manager da divisão enterprise da Apple no Brasil, para liderar a área de setor público para América Latina no Google Cloud.

Burgese, aliás, tem também uma passagem pela Microsoft, onde fez carreira e chegou a liderar a oferta para setor público, que tinha em computação em nuvem um dos seus carros chefe.

Em junho de 2019, a empresa contratou Eduardo López, ex-VP de Enterprise Architect e Solutions da Oracle, para o cargo de head de Vendas do Google Cloud para a América Latina.

Com a contratação do executivo, o Google criou uma nova estrutura própria para América Latina, que até agora estava junto com Estados Unidos e Canadá, dois mercados muito mais importantes, dentro de uma divisão focada nas Américas.

López é argentino, mas fez carreira na Oracle por quase 20 anos em uma série de cargos na área de vendas baseados no Brasil.

No final de 2018, o Google divulgou que o número total de clientes do Google Cloud no Brasil aumentou um pouco mais de quatro vezes (330%) enquanto o número de revendas aumentou cinco vezes.

É provável que a multiplicação de clientes e parceiros tenha sido tão acelerada porque a base inicial era baixa, mas de todas formas, ela mostra o momento do Google nesse mercado.

Em 2017, o Google lançou uma região do seu cloud para América Latina, baseada em São Paulo. O Brasil também foi o primeiro país a permitir o pagamento em moeda local.

NO BRASIL

No momento, há muitas oportunidades no fornecimento de serviços de nuvem para o governo, principalmente em nível federal.

Desde o final do governo Dilma Rousseff, acelerando durante o governo Temer, Brasília vem deixando de lado a aposta em software open source e infraestrutura própria que caracterizou as gestões petistas e apostando mais e mais em fornecedores privados.

O símbolo dessa nova era foi um contrato de R$ 29,9 milhões fechado pela Embratel no Ministério do Planejamento para fornecimento de nuvem da AWS. O Planejamento é o ministério que estabelece as diretrizes de TI, entre as quais estava no passado não hospedar dados fora do país.

Não há qualquer indicativo de que o novo governo encabeçado por Jair Bolsonaro vá recuar nessas posições. Todas as sinalizações são no sentido de abrir as portas para a iniciativa privada, incluindo aí os grandes players internacionais de computação em nuvem.

MUNDIALMENTE

Neste ano, em um movimento inédito, a Alphabet (empresa mãe do Google) abriu os números da vertical de nuvem. 

O Google Cloud fechou o trimestre passado com receita de US$ 2,62 bilhões, uma alta de 54% frente aos resultados do mesmo período do ano anterior.

Os planos do novo CEO do Google Cloud, Thomas Kurian, são de crescimento agressivo baseado no manual da Oracle, onde ele fez carreira e chegou a ser o chefão da área de nuvem.

Segundo Kurian disse ao Wall Street Journal em abril do ano passado,  os times de venda do Google Cloud são um décimo das equipes trabalhando com AWS e Azure. Ele quer chegar a pelo menos a metade.

É muita gente, mas Kurian citou sua experiência de contratar 4 mil pessoas em um ano para o time de vendas da Oracle.

Outra parte do plano de Kurian é criar tecnologias que permitam aos desenvolvedores criar aplicações que rodem na nuvem do Google, mas também na da AWS e Microsoft, que no momento são líderes disparados de mercado.

Kurian disse que o plano em termos de tecnologia é similar ao que a Oracle fez com o Java, uma linguagem de programação que se tornou um standard de mercado.

Além disso, o novo CEO do Google Cloud quer que a empresa crie produtos específicos por indústria, focando em verticais como saúde, varejo, finanças ou indústria automotiva.

De acordo com números do Gartner, o setor é liderado pela AWS, com 44,2% do mercado. A lista segue com Microsoft (7,1%), Alibaba (3%) e Google (2,3%).