Aldo Luiz Mees, administrador e diretor da IPM Sistemas. Foto: Divulgação.

por Aldo Luiz Mees*
Em 1996 ainda não havia internet comercial no Brasil. Os primeiros portais começaram a surgir dois anos depois, quando a antiga Embratel, ainda estatal, autorizou as primeiras conexões. Era uma novidade para empresas, usuários e principalmente, para os órgãos públicos de todo o Brasil.

Vinte e um anos depois, a rede mundial de computadores está se tornando cada vez mais indispensável, assim como a água, a energia elétrica e o petróleo. Por quê? Nesse ínterim, as instituições descobriram a importância dessa tecnologia, e a capacitação ajudou a expandir o potencial dela para praticamente todas as atividades humanas. Mas para que chegássemos até aqui, não foi fácil.

Imagine qual era o cenário em uma cidade do interior catarinense três décadas atrás. Distante cerca de 200 quilômetros da capital Florianópolis, Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, tinha pouca relação com o setor tecnológico. Talvez apenas alguns jovens sonhassem em fazer um curso superior nesta área, já que isso demandaria recursos e estrutura suficientes para mantê-los em outros municípios. Empreender nesta área então, nem pensar.

Mas pensamos —  e executamos. E conseguimos buscar um espaço que hoje é mais uma oportunidade para a formação de jovens, que não precisam mais ficar distantes das suas famílias para crescerem profissionalmente. Eles ficam perto da terra deles, geram riquezas e investem no seu lugar. Mas como foi possível mudar essas realidade? Por meio de parcerias.

Quando fundamos uma “fábrica de softwares” no Alto Vale do Itajaí, não encontrávamos mão de obra qualificada. Não havia cursos, e os profissionais tinham que vir de fora. Aos poucos o mercado foi sendo formado: uma empresa precisava de gente especializada. Mas ao invés de continuar importando essa força de trabalho, aproximações como a que ocorreu com a Fundação Educacional Hansa Hammonia, na cidade vizinha de Ibirama, permitiram lançar uma semente de desenvolvimento completamente nova. Em pouco tempo tínhamos instalado na região o primeiro curso de Sistemas da Informação. 

Fornecemos os equipamentos, montamos os laboratórios e concebemos o embrião do que seria o programa Jovens Talentos, que existe até hoje e é responsável por 20% do total de colaboradores que atuam na empresa atualmente. De lá pra cá, diversas faculdades procuraram a região e elevaram o Alto Vale do Itajaí a outro patamar educacional e profissional. 

Quando se quer, nem a ausência de estrutura impede o desenvolvimento.

*Aldo Luiz Mees é administrador e diretor da IPM Sistemas.