Motoristas tem utilizado os telefones dos passageiros para outro tipo de conversa. Foto: Ivakoleva/Shutterstock.com

Os populares apps de táxi, que ganharam os usuários pela sua agilidade e praticidade, começam a demonstrar problemas. Por disponilizar o número de telefone do usuário para o taxista, com o intuito de possibilitar o contato em caso de desencontro, os apps enfrentam o desafio de evitar que os motoristas utilizem os números para outro tipo de conversa.

Na última semana, o Terra ouviu relatos de mulheres que foram assediadas e ameaçadas por taxistas.

Uma empresária de 28 anos de Porto Alegre contou que em outubro do ano passado, recebeu mensagens pelo WhatsApp depois de desembarcar de um táxi solicitado pelo EasyTaxi.

“Por que não tem foto tua no seu perfil? É tão bonita”, mandou o taxista. Sem resposta, continuou:  “Eu sei que tu viu”, “gostei de ti” e “te achei sexy” foram alguns dos textos enviados.

A empresária bloqueou o número do celular, mas não relatou o caso à empresa.

Dias depois, passou por mais um inconveniente com outro taxista cadastrado na EasyTaxi. 

Após cancelar uma corrida que havia solicitado devido à demora, recebeu mensagens com reclamações. 

“Ele não me xingou nem deu em cima de mim, então foi um aborrecimento menor, neste sentido. Só que novamente usou meu número de celular. Não respondi nenhuma das mensagens, mas fiquei preocupada. Eles tinham meu telefone, sabiam onde eu morava”, contou.

Outra jovem de 21 anos relatou à reportagem ter passado por problema semelhante com outro aplicativo do gênero, o 99Taxis. Jornalista de São Paulo, ela contou que solicitou o carro no último mês de dezembro, após sair da festa de final de ano da empresa em que trabalhava.

“Fui batendo papo com o motorista e resolvi inventar uma história para não contar minha vida toda para ele. Menti que era gaúcha e estava de passagem por São Paulo. Três ou quatro dias depois recebi uma mensagem: ‘e ai, guria, já voltou para Porto Alegre?’”, contou.

Ela não respondeu, excluiu a conversa e bloqueou o número.

Outro caso, de uma estudante paulista de 20 anos, aconteceu em novembro do ano passado. Ao fazer a solicitação no aplicativo, percebeu que o tempo aproximado de chegada, que é mostrado na tela do celular, apenas aumentava ao invés de diminuir. Ela, então, cancelou a corrida e chamou outra no app.

“Uns 5 minutos depois, ele me ligou perguntando onde eu estava e eu contei que já havia entrado em outro táxi. Aí começaram os xingamentos. Achei estranho e desliguei, mas ele continuou me mandando mensagens por mais três dias me ofendendo. Chamou de vagabunda, vadia, otária. Disse que me bloquearia no aplicativo e que ia passar meu nome a todos os taxistas da região”, contou.

Procurado pelo Terra, o EasyTaxi alegou que todos os motoristas cadastrados no aplicativo recebem um treinamento específico e que a empresa bloqueia os que não agem em conformidade com as regras.

“A Easy Taxi condena qualquer uso do aplicativo que não esteja de acordo com o seu propósito e, conforme seu termo de uso, bloqueia os motoristas que não ajam em conformidade com as regras. A empresa incentiva, em casos de assédio, que seja feita a denúncia através dos canais de atendimento”, disse, em nota.

O contato com a empresa pode ser feito por telefone (4003-2498), e-mail (contato@easytaxi.com.br), Facebook e Twitter.

A 99Taxis, por sua vez, afirmou que “o uso de informações do passageiro é exclusivo para facilitar o trabalho de transporte” e que a utilização inapropriada por parte do taxista “é expressamente proibida e gera punições que podem ir de orientação e suspensão do uso do aplicativo até a exclusão definitiva do serviço”.

As denúncias podem ser feitas diretamente pelo aplicativo, e-mail (contato@99taxis.com) ou telefone (0300 31 31 739).

“O uso do aplicativo aumenta significativamente a segurança dos passageiros, já que os taxistas são todos identificados. Na maioria das vezes, só temos como saber quando houve desvio de conduta ou violação dos nossos termos quando somos informados por passageiros. Por isto, agradecemos muito pela informação”, disse, também em nota.