Francisco Homem de Mello, fundador da Qulture.Rocks. Foto: Divulgação.

Cada vez mais o termo trabalho (do latim tripalium - instrumento de tortura, constituído de três estacas de madeira e que era comum em tempos remotos na região europeia), vem sendo substituído por palavras como missão, propósito e experiência. O grande desafio é entender como gerenciar e potencializar profissionais com essa nova mentalidade. Você há de concordar que estamos lidando com uma geração cada vez mais autodidata, com acesso ilimitado a informações. Se antes o conhecimento técnico era algo conquistado após anos e anos de aprendizado, hoje os jovens conseguem absorvê-lo de maneira rápida e sob demanda, e isso muda um pouco o jogo ao tirar peso da importância da experiência.

Por outro lado, cultura é cada dia mais uma peça fundamental no sucesso das empresas: ela apoia a estratégia de maneira única, dando sustentação aos negócios no longo prazo. Assim, o alinhamento com os valores da organização deve ser sempre a premissa básica para uma boa contratação. Quando damos o devido valor ao fit cultural do candidato na hora de contratar, colocamos para dentro talentos que são capazes de reforçar os comportamentos que sustentam nossa estratégia, e que irão aprender seja lá o que for necessário ao trabalho que estiverem ocupando naquele momento.

Por meio de um check-list simples aplicado pelo gestor, uma semana após a contratação, e o Google conseguiu reduzir em 25% o tempo em que um funcionário alcança sua produtividade máxima. Organizações que possuem processos de Onboarding (procedimentos que aproximam um novo funcionário da sua cultura organizacional) consolidados melhoram suas taxas de retenção em 85% e produtividade em até 70%. Não sei se você sabe, mas até a GE, conhecida por criar a curva forçada e a meritocracia mais ferrenha do mundo moderno, já possui um aplicativo móvel de feedback instantâneo. E você ainda está no ciclo anual de avaliação de performance?

Estudos mostram uma melhora drástica tanto no desempenho do funcionário, como no desempenho do negócio quando uma empresa efetivamente, determina e relaciona metas e objetivos individuais às metas e objetivos da empresa. E os benefícios muitos: aumento das margens operacionais: o funcionário vê como ele pode fazer uma contribuição direta para o sucesso da sua empresa. Ele foca em encontrar maneiras de trabalhar de forma mais inteligente e eficiente. Sua produtividade aumenta. Margens operacionais também aumentam.

Execução mais ágil da estratégia da empresa: definição de contribuições individuais claras e públicas expõem iniciativas redundantes na empresa; execução mais eficiente: alocação de trabalho mais eficiente nos projetos e departamentos eliminando esforços duplicados; redução do turnover: empresas com um grande número de funcionários insatisfeitos apresentam grande absenteísmo e baixa produtividade assim como uma taxa de turnover 51% maior. O claro alinhamento dos objetivos e das metas ajudam a criar um maior sentimento de responsabilidade/posse no sucesso da empresa. Quanto maior o propósito maior o engajamento, resultando em uma diminuição no turnover.

 

Reconhecimento

Neste ponto, não se apegue ao reconhecimento monetário. Estamos sim falando dele, mas não só dele. Reconhecimento é algo muito mais amplo: pode ser um elogio de um par, um elogio em público, acesso a um treinamento, um aumento, uma promoção, mais férias etc. O ponto aqui é: pessoas que se destacam pelas suas contribuições devem ser identificadas e reconhecidas. Esse reconhecimento é, e será, combustível para o ânimo e a força de vontade dos seus funcionários.

Segundo o relatório da Gallup, empresas com programas de reconhecimento estruturados, reportam, em média, um aumento de 22% nos índices de produtividade e empresas com níveis de engajamento alto apresentam uma taxa 37% menos de absenteísmo. Já empresas que possuem gerentes que estimulam e valorizam o reconhecimento e a comunicação tem um retorno sobre investimento 47% maior, segundo o relatório da Tower Watson.

Uma pesquisa conduzida pela Globalforce identificou que funcionários são 17 vezes mais engajados que a média quando descobrem estarem alinhados com valores culturais, por meio de reconhecimento no trabalho. Um grupo de pesquisadores do Reino Unido dizem ter encontrado a primeira evidência científica que conecta felicidade com produtividade – pessoas felizes são em média 12% mais produtivas.

Por último, mas de forma alguma menos importante, chegamos à cultura. Entretanto não falaremos de “cultura de parede”, criada por alguma consultoria e desconhecida por todos. Estamos falando da cultura de verdade: os valores e crenças que são vividos no dia-a-dia das empresas, que permeiam decisões e garantem vantagens competitivas de longo prazo para as organizações. É a hora de mostrar que gerir pessoas é muito mais do que calcular folha de pagamento e rodar uma avaliação anual de desempenho mequetrefe: gerir pessoas é ajudar cada um a atingir seu potencial, fazer diferença nos resultados da empresa e criar equipes de alta-performance.

*Por Francisco Homem de Mello, fundador da Qulture.Rocks, software de gestão de desempenho.