Fábio Scabeni, diretor comercial da Visoft. Foto: Divulgação.

Por Fábio Scabeni.
Muito se tem falado e muito tem sido escrito sobre as oportunidades de ter um negócio próprio no mercado de software. De fato, há um verdadeiro oceano de oportunidades, mas me causa estranheza ver e ouvir muito pouco ou quase nada sobre os desafios que serão encontrados por aqueles que decidem mergulhar nestas águas como empreendedores. Minha intenção, em palestras e artigos que trato do tema, não é desestimular ou assustar os aspirantes a empreendedor, mas sim, orientá-los sobre cuidados básicos com o novo negócio.

No Brasil existem mais de 11 mil empresas dedicadas ao desenvolvimento e comercialização de software. Se as pesquisas realizadas pela FGV em parceria com a Amway se confirmarem, este número tende a subir consideravelmente nos próximos anos, afinal, 82% dos brasileiros desejam ter um negócio próprio dentro dos próximos 5 anos. E aí está o grande desafio que abordo neste artigo para quem pretende empreender no mercado de software: identificar com sucesso, em meio à pilha de possibilidades existentes, oportunidades comercialmente atrativas. 

Costumo fazer uma mesma pergunta àqueles que me procuram pedindo opinião sobre um novo software que estão desenvolvendo:  “tem quem pague?” Ora, uma coisa é o desenvolvedor acreditar na própria ideia, outra coisa é conseguir vender o software a um preço que torne o negócio lucrativo. No entanto, ainda ouço muitos respondendo: “eu acho que sim”, isso porque nunca validaram o projeto com o persona mais importante: o suposto potencial cliente. Cito aqui como suposto, pois sem uma análise e validação, tudo não passa de suposição. 

Quem decide mergulhar no oceano de oportunidades do mercado de software não pode se dar ao luxo de atuar como jogador em um cassino, apostando em projetos e estratégias baseado apenas na intuição ou em palpites. É necessário ouvir o mercado, realizar análises e conhecer a fundo do negócio que pretende atender com o seu software. Os aspirantes a empreendedor precisam olhar para o seu software não como o fim, mas como o meio para resolver problemas dos seus clientes. Em outras palavras, primeiro o consumidor, depois o software.

Estou convencido de que a melhor sugestão a ser dada para quem pretende abrir o próprio negócio no mercado de software é: “Comece a vender seu software antes mesmo de escrever a primeira linha de código.” Quando isso acontece, ocorre aquisição de conhecimento técnico do negócio, problemas possíveis de serem resolvidos com inovação (de valor) são identificados e uma pergunta determinante para seguir em frente ou abortar o início do novo software pode ser respondida: “Quanto custa ao cliente não comprar?”.  Minha experiência tem me mostrado que um software com tecnologias novas nem sempre é uma oportunidade comercialmente atrativa. Na verdade, o software precisa resolver problemas, ineficiências e erros que custem mais caro que a compra do software, sendo o preço do software adequado para que o negócio se torne lucrativo. 

Vai empreender no mercado de software? Saiba de uma coisa: “Desenvolver software comercialmente atrativo ou software sem potencial de venda dá o mesmo trabalho.” O sucesso do novo negócio depende da escolha das oportunidades. Como é difícil escolhê-las! 

*Fábio Scabeni é diretor comercial da Visoft.