Apple Watch tem queda nas vendas. Foto: divulgação.

Já se passaram três meses desde o lançamento do Apple Watch, a principal aposta da Apple para estender seu poder no mercado de dispositivos móveis. Entretanto, para alguns, o plano da empresa em emplacar seu relógio inteligente não foi assim tão bem-sucedido.

Segundo aponta a consultoria norte-americana Slice Intelligence, os pedidos por novos Apple Watch caíram cerca de 90% em relação à semana da lançamento do produto.

Os dados da consultoria são baseados no tráfego de e-mails de recibos enviados pela Apple para os clientes compradores do relógio, e podem não refletir o cenário geral de vendas do produto.

Entretanto, analistas já apontam o produto como "bom", mas ele não se tornou uma necessidade, como muitos esperavam. Para muitos, o relógio da Apple seria o principal propulsor do mercado de wearables.

Para complicar, a consultoria BMO Capital Markets divulgou para investidores que estão "desapontados" com o produto e reduziiu a estimativa de vendas do smartwatch para o ano que vem.

Apesar da ducha de água fria, outros experts mais otimistas estimas que o relógio pode recuperar mercado no final do ano, chegando a vender de 20 a 25 milhões de unidades nos últimos três meses de 2015.

A dúvida em relação ao Apple Watch preocupa não apenas a fabricante. Para outras empresas, como Samsung e LG, a desaceleração do produto aponta um futuro incerto para o mercado de wearables como um todo.

"Facilita a sua vida, pode ajudar com os exercícios físicos, mas não serve uma necessidade básica de comunicação, como faz o telefone", afirmou Carolina Milanesi, analista da Kantar ComTech.

O Google Glass, óculos de realidade aumentada considerado um dos grandes produtos entre os wearables, também passa por dificuldades em termos de usabilidade, tanto que até agora não chegou de fato ao mercado.

Mesmo assim, segundo destacaram analistas à AFP, a estimativa da Apple é fechar o ano com uma venda total de 20 milhões de unidades do relógio inteligente, passando o número total de smartwatches Android vendidos, chegando a 56% do mercado total.

"Ainda vai levar mais um ano ou dois, não apenas para a Apple, mas para o mercado entender o que os consumidores querem que os smartwatches façam por eles", afirmou Jack Gold, presidente da consultoria J. Gold Associates, para o WSJ.