SITUAÇÃO

Vem aí uma rebelião nos call centers?

20/03/2020 17:09

Protestos estão pipocando em todo país em meio ao medo do coronavírus.

Funcionários de call center temem que condições favoreçam o coronavírus. Foto: Divulgação.

Tamanho da fonte: -A+A

Funcionários de call centers no Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Goiânia protestaram nesta semana, demandando medidas das empresas para evitar a contaminação pelo coronavírus.

Em São Paulo, segundo relata o UOL, o protesto foi na frente Almaviva, um dos principais call centers do país, com 37 mil empregados.

Os protestos em Goiânia e Salvador foram cobertos pelo G1, que não chegou a informar os nomes da empresas na frente da quais teriam ocorrido as manifestações.

Segundo o relato do G1 e do UOL, os funcionários reclamam de falta de álcool em gel, além de falta de higienização dos headsets, equipamento telefônico com microfone embutido que é compartilhado pelos funcionários ao longo dos diferentes turnos, e das posições de atendimento, conhecidas no jargão do setor como PAs.

No Rio de Janeiro, aconteceram protestos na frente da NeoBPO, segundo informa uma nota do Sinttel-Rio, na qual se menciona "higienização inadequada dos ambientes". 

Também no Rio, teriam havido protestos na frente da Atento, sobre os quais não há maiores informações, apenas um vídeo postado por militantes da Unidade Popular, um partido radical de esquerda, no qual pessoas bloqueiam o trânsito gritando slogans sobre melhores condições de trabalho.

Os protestos aconteceram dias depois da Associação Brasileira de Telesserviços (ABT), que representa o setor de contact center no Brasil como um todo, ter divulgado uma nota na terça-feira, 17, com as medidas tomadas pelas suas 17 associadas, que incluem grandes empresas como Atento, Almaviva, Algar Tech, Flex e Sercom.

A nota em medidas incluindo realização de trabalho remoto ou férias pelos trabalhadores com sessenta anos ou mais, com doenças cardíacas, diabete ou outras doenças graves, ou para atividades nas quais isso seria “possível do ponto de vista técnico”.

Fora desse grupo, que provavelmente não é muito grande em um setor com uma mão de obra jovem, as providências se dariam no local de trabalho, incluindo intensificação da higienização dos ambientes comuns e postos de trabalho individuais; fornecimento de kit individual de higienização e monitoramento dos profissionais.

Os protestos aconteceram na frente de pelo menos duas empresas filiadas à ABT, o que parece indicar que as medidas não estão sendo tomadas em um ritmo ou intensidade suficientes para tranquilizar os funcionários.

O problema pode ser muito mais extenso. De acordo com a ABT, os associados da entidade empregam 380 mil funcionários. 

O setor de call center como um todo, no entanto, é muito mais fragmentado, e, de acordo com estimativas de outras entidades setoriais, teria como 1,6 milhão de funcionários no país.

As empresas de call center devem ter um grande aumento da carga de trabalho nos próximos dias, na medida em que medidas de quarentena comecem a fechar o atendimento presencial em uma série de setores e a população.

Isso deve levar ao aumento do número de turnos e na ocupação de posições ociosas dentro dos call centers, estruturas refrigeradas nas quais os funcionários sentam lado a lado em centenas. 

A migração de funcionários para home office para além dos perfis de risco parece pouco provável, porque envolveria projetos de tecnologia que não poderiam acontecer em tempo viável - mesmo empresas de TI de grande porte no país tem dificuldade em transferir os seus colaboradores para home office.

Apesar das dificuldades, existem possibilidades nesse sentido. Em nota enviada ao UOL, a Almaviva afirmou que já implementou um piloto de home office para o atendimento, que seguirá gradativamente.

Com o número de casos de coronavírus no país prestes a ter um aumento exponencial nos próximos dias, a situação nos call centers pode se deteriorar.

A preocupação tem precedentes. Na Coréia do Sul, um país que é apontado como um sucesso na gestão da crise do coronavírus, as autoridades relataram um novo pico de casos nessa semana.

Ao todo, 242 novos contágios foram reportados pelo país asiático, 90 deles oriundos de apenas um call center, onde a doença eclodiu esta semana.

Todos os 200 funcionários foram testados e a expectativa é que o número de infectados aumente.

Veja também

CORONAVÍRUS
Startups se comprometem em peso com home office

672 assinaturas de CEOs em manifesto com medidas para controlar a pandemia.

INDÚSTRIA
Marcopolo e Randon suspendem produção

Fabricantes de veículos de grande porte vão entrar em férias coletivas por conta do coronavírus.

CORONAVÍRUS
Sequor: todos em home office

Empresa sediada em Canoas mandou funcionários para casa.

MERCADO
Linx prepara investidores para perdas

Efeitos negativos do coronavírus sobre o varejo devem ter consequências na empresa.

INDÚSTRIA
Montadoras paralisam produção no Brasil

GM, Mercedes-Benz e Volkswagen devem colocar cerca de 50 mil em férias coletivas.

NÃO DEU
Evento do Google cancelado na versão virtual

Realizar um grande evento online parece difícil. Até para o Google.

CRISE
Compasso: 100% para casa “em breve”

Companhia do UOL quer todos os 1,5 mil  funcionários em home office.

E-COMMERCE
Amazon suspende envio de produtos não essenciais

Em seus armazéns, empresa vai priorizar mercadorias relacionadas à pandemia de coronavírus.

SAÚDE
Diretoria da Oi testa negativo para Covid-19

Grupo fez quarentena preventiva após ter contato com executivo estrangeiro infectado.

MEDIDAS
Stefanini: home office para perfis de risco

Vão trabalhar em casa maiores de 60, gestantes, ou pessoas com sintomas.

CORONAVÍRUS
Serpro: todos para casa no DF, SP e RJ

A partir de quinta, outras regionais poderão optar pela mesma medida se acharem necessário.

CORONAVÍRUS
Dell: todo mundo em casa até segundo aviso

Gigante americana torna obrigatório home office no país, em meio a pandemia.