A mudança no prazo de pagamento das vendas aos lojistas pode fechar o Nubank. Foto: Divulgação.

A proposta de mudança no prazo de pagamento das vendas aos lojistas, que está em avaliação pelo Banco Central, pode resultar no fechamento do Nubank.

De acordo com a co-fundadora da emissora de cartões de crédito digital, Cristina Junqueira, a redução do prazo de 30  dias para 2, como vem sendo ventilado em Brasília, vai representar o fim do negócio.

O Estadão relata que intenção de mudar o prazo foi oficializada na quinta-feira, 15, pelo presidente Michel Temer e pelo Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, durante lançamento do pacote para impulsionar a economia.

Pelo modelo atual, o lojista leva 30 dias para receber o valor de um compra feita pelo consumidor com cartão de crédito. O prazo é maior que o visto em outros países, como os EUA, em que a demora é de dois dias. Para o governo, o encurtamento do processo vai favorecer o varejista e contribuir para a retomada da atividade.

O problema, segundo Cristina, é que a mudança trará um custo adicional para todos os emissores de cartões de crédito, do Nubank aos bancos maiores, que dominam o mercado.

A diferença é que o Nubank e os emissores menores não têm a mesma capacidade de financiamento de gigantes como Itaú Unibanco, Bradesco e Santander.

“Atualmente, um cliente que usa o cartão pagará a fatura, em média, 26 dias depois. Assim, o Nubank, como emissor, receberá o dinheiro apenas após este prazo. Com o dinheiro, pagamos o adquirente (operador do cartão), que leva mais dois ou três dias para pagar o varejista. Isso dá o prazo de 30 dias”, explica Cristina ao Estadão.

A receita do Nubank, que já emitiu mais de 1 milhão de cartões desde 2014, vem de um percentual descontado do valor repassado ao lojista, de aproximadamente 5%. Cerca de 1,5% fica para o Nubank e o restante para a adquirente (como Cielo, Rede e GetNet) e para a bandeira (Mastercard, no caso da fintech).

Se o prazo for encurtado para dois dias, o Nubank terá de pagar o adquirente antes mesmo de receber o pagamento da fatura pelo cliente. Para isso, será preciso pegar recursos no mercado.

Cristina afirma que, mesmo que o prazo fosse reduzido para 15 dias, o Nubank já não teria como sobreviver.

“Nós já fizemos algumas simulações. Com dois dias é apagar a luz e fechar a porta. Com 15 dias, a gente precisaria de quase R$ 1 bilhão de capital adicional do dia para a noite”, detalha.

Nesta terça-feira, 20, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, deverá anunciar medidas ligadas ao crédito e a outras áreas de atuação da instituição. 

O Nubank recebeu. há menos de um mês, US$ 80 milhões em uma nova rodada de investimento. O aporte foi liderado pela DST Global, empresa de capital de risco que já apoiou empresas como Alibaba, Slack, Twitter, Spotify e Facebook. 

Somente em 2016, o Nubank já conquistou um aporte de US$ 50 milhões (em janeiro) e uma captação de R$ 200 milhões em duas linhas de crédito com o Goldman Sachs (em abril).

Criada em setembro de 2014, a startup recebeu outros três investimentos: um aporte inicial para começar o negócio, em julho de 2013; outro investimento logo no lançamento da startup; e um aporte de R$ 90 milhões em 2015.