"Ae galera, professora vai dar um conceito". Foto: flickr.com/photos/educacaosp

Com a chegada no final do ano letivo, o novo sistema de avaliação de alunos no ensino médio gaúcho virou o principal alvo de discussão na educação. Com a troca das tradicionais notas e disciplinas por conceitos e áreas de aprendizado, respectivamente, especialistas afirmam que está mais fácil passar de ano.

O sistema, chamado de "avaliação emancipatória", apresenta um modelo que diminui os riscos de reprovação para os alunos, com conceitos mais abrangentes, segundo destaca a Zero Hora.

Em vez de notas de 0 a 10, agora os alunos podem ser enquadrados em três conceitos: Construção Satisfatória, Construção Parcial ou Construção Restrita de Aprendizagem.

No novo sistema, as disciplinas deixam de valer isoladamente e fazem parte agora de quatro agrupamentos: linguagens (que engloba português, língua estrangeira, literatura, educação física e artes), matemática, ciências da natureza (biologia, física e química) e ciências humanas (história, geografia, sociologia e filosofia).

De acordo com o novo método, um aluno pode receber um conceito insatisfatório em uma das quatro áreas de avaliação e ainda assim ser aprovado.

Para muitas empresas, o ensino médio é a porta de saída para o mercado de trabalho e falta de qualificação de mão de obra é uma reclamação cada vez mais forte.

Por exemplo, no caso da TI, um setor notoriamente busca profissionais com maior qualificação, um grande número de alunos que concluam seus estudos com desempenhos baixos em áreas como matemática pode ser um problema.

POLÊMICA
Uma ruptura radical com o ensino tradicional, o novo sistema divide opiniões.

Alguns professores saem em defesa, alegando que agora a avaliação está mais de acordo com a mudança no perfil e modo de aprendizado dos jovens.

"É um avanço, pois coloca os professores debruçados sobre o processo de aprendizado do aluno", avalia Maria de Guadalupe de Lima, coordenadora da Secretaria Estadual de Educação (SEC).

Por outro lado, educadores e outros analistas da área de ensino alegam que a nova medida pode facilitar demais a aprovação dos alunos, "mascarando" as reprovações sem que os alunos aprendam.

Atualmente, o Rio Grande do Sul conta com o índice de reprovação mais alto entre os ensinos médios do país, com 20,7%. A média brasileira está em 13,1%, conforme aponta o MEC.

No entanto, os números podem ser enganadores. Estas constatações não fornecem dados claros sobre a rigidez dos sistemas de avaliação ou real desempenho dos alunos.