Jilmar Tatto quer livrar entregadores da "escravidão" com app estatal. Foto: Divulgação.

O candidato petista à prefeitura de São Paulo, Jilmar Tatto, quer criar um aplicativo estatal de entrega de comida na cidade, caso eleito.

A proposta foi feita no perfil de Tatto no Twitter neste sábado, 17.

Tatto já havia falado do aplicativo, batizado “Aplicativo 100% para Todos”, em julho, antes da campanha eleitoral decolar, durante uma live com jornalista e ativista LGBT William de Lucca. 

O principal atrativo para os entregadores seria não precisar pagar a taxa para empresas privadas como o iFood, Rappi e Uber Eats. A estimativa é que 280 mil pessoas trabalhem fazendo entregas na Grande São Paulo.

“Vamos fazer uma articulação com os estabelecimentos para eles que usem esse aplicativo. Com isso, essa juventude que tem saído às ruas para sobreviver não vai mais ficar escrava de ninguém. A criação do aplicativo também será uma maneira de forçar empresas como Uber, Rappi e outras a pararem de escravizar esses jovens”, disse Tatto na live.

Tatto não chegou a comentar se os entregadores teriam uma relação trabalhista com o aplicativo da prefeitura, o que seria se esperar, uma vez que a precarização das relações de trabalho é uma crítica comum feita por muitos na esquerda aos aplicativos de todos tipos.

A campanha eleitoral ainda está no começo, mas parece fácil de prever que o aplicativo estatal de Tatto não tem muitas chances de se concretizar, pelo menos em um governo petista em São Paulo.

Tatto está com 4% das intenções de voto, segundo a pesquisa Ibope divulgada pela TV Globo e pelo jornal “O Estado de S. Paulo” nesta quinta-feira, 15.

Guilherme Boulos, o candidato do PSOL que o PT potencialmente poderia apoiar no segundo turno, está com 10%. A corrida é liderada por Celso Russomanno (Republicanos), com 25% e Bruno Covas (PSDB), com 22%.

Apesar de não parecer ela mesma uma ideia muito viável, tendo em conta a capacidade de investimento necessária para fazer um app competitivo com empresas com milhões de capital em um dos setores mais dinâmicos da nova economia, a proposta de Tatto aborda um problema real.

(Os leitores com boa memória podem se lembrar que em 2013 a então presidente Dilma Rousseff quis criar um e-mail estatal, um projeto empurrado pela barriga pelos supostos responsáveis até que todo mundo teve o bom senso de esquecer dele).

Os entregadores se tornaram parte da paisagem urbana no Brasil. Desde 2018, o número vinha aumentando, embalado pela alta do desemprego e a popularidade crescente de aplicativos de entrega em meio da pandemia e do isolamento social.

O coronavírus representou mais um empurrãozinho. Só em São Paulo o número aumentou 20% desde o início da pandemia, de acordo com o sindicato da categoria.

A facilidade em encontrar entregadores pode ter levado as empresas a relaxar o padrão de tratamento dos profissionais, que nunca foi lá muito alto.

Em junho e julho, os entregadores chegaram a organizar greves nacionais, que afetaram o serviço de entregas em algumas grandes cidades e contaram com a simpatia do público.