Alexandre Blauth.

Os CIOs que obtiveram alguma calma nos últimos anos, com a estabilização dos projetos de TI corporativa e comércio eletrônico e já estavam tomando contato com a nova realidade da computação em nuvem e da mobilidade devem ter sua vida sacudida em breve pela Internet das Coisas.

Uma combinação de diversos fatores, incluindo queda no preços de sensores de todos os tipos, disponibilidade crescente de conectividade e os primeiros cases de negócio efetivos na praça devem tornar IoT um problema na mesa dos gestores logo logo.

“Estamos falando de uma série de tecnologias que estão disponíveis no mercado faz tempo. A missão dos CIOs é encontrar usos que gerem valor”, avalia Alexandre Blauth, executive partner para a região Sul do Gartner, que esteve palestrando no Mesas Redondas do Seprorgs nesta sexta-feira, 19.

Blauth citou alguns casos como uma empresa americana que criou uma lixeira com sensores que ativam compactadores, reduzindo a necessidade de coletas (uma companhia do gênero já instalou unidades em São Paulo), além de outras empresas que estão usando sensores para medir a habilidade de motoristas (e calcular assim o preço do seguro) ou mesmo o calor da pizza a ser entregue, no caso da Dominos americana.

“A empresa das lixeiras diminuiu em 80% a necessidade de coletas. Que CEO não vai aprovar um projeto que corte custos nessa escala?”, questionou Blauth.

Todo mundo já ouviu alguma previsão avassaladora sobre a expansão da Internet das Coisas. Blauth citou dados do Gartner prevendo um salto do pouco mais de 1 bilhão de sensores conectados existentes em 2009 para 30 bilhões em 2020 (outras pesquisas falam até de 50 bilhões), com números chegando na casa do trilhão quinze anos depois.

Um dado menos mencionado é que não está muito claro quem pode ser o fornecedor disso. A avaliação do Gartner é que 50% dos fornecedores de IoT no mercado em 2017 terão três anos de idade, ou seja, estão sendo fundados agora mesmo em alguma garagem. 

Já existem três consórcios de empresas de TI, cada um com meia dúzia de nomes de grande porte no barco e uma mesma meta: criar um padrão de mercado dominante ainda não existente no momento para esse mercado emergente.

Os próprios CIOs, em pesquisas da consultoria, indicam que todos os players tradicionais de TI, como IBM, Apple, SAP e Oracle devem perder importância nos próximos anos, com só o Google crescendo. Um terço espera o surgimento de um grande novo players.

Como equalizar essa situação para fazer projetos agora, quando eles ainda podem representar uma vantagem competitiva?

“Os times de TI das empresas conhecem o negócio das empresas e sabem o que fazer. O que precisa ser feito é parar de colocar o foco em customizar o ERP, ou elevar o nível de segurança de 99,6% para 99,8%”, exemplificou Blauth.