Telmo Costa, presidente da ADVB-RS.

A campanha Rio Grande do Sim, uma iniciativa capitaneada pela ADVB-RS visando superar a “grenalização” do estado, entrou em sua segunda fase nesta segunda-feira, 19.

Nessa segunda fase, a campanha será divulgada em uma campanha com anúncios em jornais e rádios bancados pela Braskem, Habitasul e Vonpar, patrocinadores da campanha, além de um calendário de atividades em eventos como a Expointer e a Semana Farroupilha e debates em entidades.

“Precisamos superar a cultura do conflito, deixar de ser a terra do não dá, não pode e agora não. O mundo atual exige velocidade e capacidade de articulação”, afirma Telmo Costa, presidente da ADVB-RS.

Os anúncios, criados pela agência de propaganda Morya, retratam diferentes assuntos que dividem os gaúchos em dois grupos, tentando recolocar o foco nos problemas comuns e não nos pontos de vista diferentes.

Assim, um anúncio com um círculo dividido entre uma metade azul e outra vermelha com as legendas “Vai ao Beira Rio” e “Vai a Arena”, aparece circulado por uma linha pontilhada indicando “Fica preso no congestionamento”.

A campanha de rádio terá uma nota mais emocional, adaptando a letra do clássico dos Serranos “Céu, sol, sul” para “Céu, sol, sim”.

Costa frisa que a mobilização não é política em um sentido partidário – tanto o prefeito José Fortunati (PDT) como o governador Tarso Genro (PDT) enviaram representantes ao lançamento – e que o objetivo é buscar uma mudança de valores na população, enfatizando a necessidade de discussões que busquem consensos.

Os apoiadores até o momento, no entanto, são entidades do setor empresarial CDL, Federasul, Sinepe-RS, Amcham Brasil, Câmara Brasil-Alemanha, Associação Riograndense de Propaganda.

Questionado sobre qual poderiam ser o ponto de partida para uma agenda positiva no Rio Grande do Sul, o presidente da ADVB costuma citar o trabalho da Agenda 2020, um grupo fundado em 2006 por 350 técnicos oriundos de universidades, sindicatos e associações empresariais.

Durante uma apresentação na Câmara Brasil-Alemanha, na quinta-feira, 15, Costa apresentou alguns exemplos de positivos e negativos da história recente do Rio Grande do Sul, incluindo a perda da Ford para a Bahia (contrabalançada pela vinda da chinesa Foton, também em um governo petista) e o atraso nas obras de ampliação da pista do Salgado Filho.

Costa lembrou também do episódio do projeto que destinava a área do antigo Estaleiro Só para a construção de prédios, descartado após o prefeito José Fogaça (PMDB-RS) convocar uma consulta pública sobre o tema.

“Participaram 22 mil pessoas, que decidiram enterrar um projeto que beneficiava toda cidade”, comentou o empresário, um dos sócios da Meta IT.  

Durante um talk show após o lançamento da campanha, alguns dos participantes também fizeram críticas mais específicas sobre os problemas do  Rio Grande do Sul.

“A mudanças na educação do Rio Grande do Sul estão trancadas por um grupo corporativista que não quer mudar”, disparou João Ruy Freitas, diretor de Relações Institucionais da Braskem, fazendo uma menção indireta à oposição ferrenha do sindicato de professores CPERS à introdução de medidas como a meritocracia no pagamento de professores.

Enquanto aumenta a sua visibilidade nos próximos meses, a organização do Rio Grande do Sim planeja conversas com mais entidades, visando a confecção de uma agenda positiva comum, baseada no trabalho já delineado pela Agenda 2020, provavelmente visando as eleições para o governo estadual em 2014.

É nesse momento que o Rio Grande do Sim deve encontrar o Rio Grande do Não, com consequências imprevisíveis.