Nem sempre é fácil reconhecer o autenticamente brasileiro. Foto: flickr.com/photos/internationalrivers/

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) anunciou nesta terça-feira, 18, o lançamento do Certics, certificado que dará vantagens competitivas nos editais do governo a empresas que desenvolvam tecnologia no Brasil.


Ainda não está totalmente claro como vai funcionar na prática a metodologia, criada por uma equipe de 30 profissionais do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, uma instituição de pesquisa ligado ao MCTI,  e da Fundação de Apoio à Capacitação em Tecnologia da Informação, uma organização fundada por Assespro e Abinee que trabalha em parceria com o Renato Archer.

De acordo com a portaria publicada pelo MCTI nesta quarta, 19, serão certificados softwares que em seu desenvolvimento provarem ter gerado competências em quatro áreas avaliadas pela desenvolvimento tecnológico, gestão de tecnologia, gestão de negócios e melhoria contínua. A promessa é que o processo demore de três a quatro semanas.

“O lançamento é emblemático na história do setor, porque valoriza as empresas que operam no país e cria um mercado de trabalho altamente qualificado”, festejou durante o lançamento o  secretário de Política de Informática, Virgílio Almeida.

Uma aplicação piloto foi feita em 12 empresas de software, além de uma pesquisa com 49 micro e pequenas empresas. Consultado sobre o assunto, o  MCTI não revelou quem são as empresas participantes do piloto, o que poderia dar uma ideia da cara que a certificação terá.

O que o Certics significará na prática – o quão rigorosos serão para conferir o selo “nacional” para um software – é tema de uma batalha de bastidores entre entidades que representam empresas nacionais como Assespro, Sucesu, Fenainfo e Softex e a Brasscom, poderosa entidade que agrupa multinacionais e grandes companhias brasileiras.

Até agora, ambos os lados se posicionaram através de 333 comentários feitos em uma consulta pública que se estendeu ao longo de quatro meses.

As entidades também terão direito de se manifestar no Conselho Normativo da Metodologia de Avaliação do Certics, no qual terão voto para valer dois representantes do MCTI, um do Ministério do Desenvolvimento, um do Ministério do Planejamento, um das Comunicações e um do CTI Renato Archer.

Não é pouca coisa o que está em discussão. Os gastos com TI das diferentes instâncias da administração pública são estimadas em pelo menos a metade do mercado nacional de TI. Só o governo federal gastou R$ 5,84 bilhões em 2012.

O ministério da Defesa já adota um critério de dar à tecnologia nacional uma vantagem de até 25% no momento de uma compra, o que pode agora ser ampliado. Não se sabe qual será a margem que os certificados do Certics terão, mas num mercado que negócios são fechados com diferenças mínimas, qualquer vantagem vale muito.

A importância deve aumentar no futuro, na medida em que o Certics deve ser utilizado em outros mecanismos de fomento e de políticas públicas, tais como a concessão de crédito para investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação.

COMO VAI FUNCIONAR
O prazo para as empresas pleitearem a certificação começa em 19 de agosto.

O processo é realizado em três etapas: Cadastramento on-line, Avaliação e Certificação. O cadastramento é o primeiro passo. A empresa interessada faz sua inscrição para iniciar o processo de avaliação na plataforma Certics, que será disponibilizada no dia 18 de julho de 2013 no site da Certics.

Após o cadastramento on-line, a organização interessada pode contratar uma avaliação. A avaliação envolve a preparação e realização de uma visita à organização por avaliadores Certics. Nessa visita, serão analisadas evidências do desenvolvimento e inovação tecnológica do software.

O resultado será validado pelo CTI Renato Archer e comunicado à organização.