Cenas de comemoração nas ruas de Nova Iorque.

Os acionistas da Linx aceitaram a oferta de compra da Stone nesta terça-feira, 17, encerrando uma disputa pelo controle da companhia que já durava desde agosto.

No último minuto, a Stone aumentou um pouco mais a sua oferta, que chegou a R$ 6,8 bilhões, um pouco mais de 10% em relação à primeira proposta. Do valor, 90% é em dinheiro vivo.

Foi o bastante para convencer os acionistas a ficarem com oferta da Stone, que vinha numa disputa acirrada com a Totvs, cuja oferta era de R$ 6,6 bilhões, com boa parte do pagamento em ações de uma nova empresa a ser criada.

Segundo disse à Reuters o presidente da Stone, Thiago Piau, 63% dos acionistas da Linx votaram a favor da proposta. A cifra torna decisiva a participação dos três sócios fundadores da Linx, donos de 14% do capital total.

Alberto Menache, Nércio Fernandes e Alon Dayan haviam sido inicialmente impedidos pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de participar da votação, uma decisão revertida posteriormente.

Os três estavam no centro de uma polêmica, porque a proposta da  da Stone envolve um pagamento diferenciado ao trio de fundadores a título de contratos de "não-competição" e salários, no caso do CEO, Alberto Menache.

O fato foi criticado pela Totvs, que abriu uma guerra de notas com a Linx, e por alguns acionistas da Linx, que acreditavam que os benefícios iam contra as regras de governança corporativa. 

Em uma segunda proposta, a Stone aumentou o pagamento para os acionistas e reduziu o pacote dos fundadores em 40%.

A decisão favorável à Stone já havia sido feita pelo conselho de administração da Linx em outubro.

Na ocasião, tomaram a decisão os dois membros independentes do conselho, João Cox e Roger Ingold. Os fundadores, que também tem assento no conselho, não se manifestaram.

Os conselheiros independentes são dois pesos-pesados.  Cox é ex-CEO da Claro e Ingold, ex-presidente da Accenture Brasil. 

Eles foram respaldados por uma análise dos bancos de investimentos Goldman Sachs e BR Partners, segundo os quais a oferta da Stone era superior, faltando à da Totvs informações que documentem a captura de sinergias sugerida pela proposta.

A compra da Linx é um negócio sem precedentes no mercado de tecnologia brasileiro e que altera as regras do jogo daqui para frente.

Nos últimos dois anos, as empresas de software de gestão vinham fazendo esforços para criar seus próprios negócios fintech, visando alavancar a informação que circula em seus sistemas e os contratos com os seus clientes para entrar no mercado financeiro.

Uma das maiores tacadas nesse sentido veio da própria Totvs, que comprou a Supplier, uma empresa especializada em intermediação de operações de crédito entre clientes e fornecedores, por R$ 455,2 milhões em outubro do ano passado.

A Linx também vinha estruturando um negócio de pagamentos, o Linx Pay, que estava por trás da alta das ações da companhia na Bolsa e pode ter sido um atrativo determinante no interesse da Stone.

Lançada em 2012, a Stone é hoje a quarta maior empresa de processamento de pagamentos do Brasil, com uma participação de mercado de 8% em um mercado que até pouco tempo atrás era um duopólio de Rede e Cielo  (em 2018, o share da Stone era 5,5%), 

A movimentação da Stone pode gerar uma reação dos concorrentes (chegou a ser especulado que a Rede faria uma oferta pela Linx, o que não aconteceu), o que pode gerar novos grandes negócios em pouco tempo.