José Luiz Moço.

A Xplor, companhia portuguesa que é uma das maiores parceiras da Sage, criou uma joint venture com a brasileira Grupo TechTrends para vender no Brasil o sistema de gestão X3 da multinacional britânica.

Com a união, nasce a Xplor Latin America, cujo objetivo é tornar-se a maior implementadora no país do X3 até o final de 2020.

A meta é ousada, mas não tão difícil. A Sage trouxe o X3 para o Brasil em 2015, visando brigar no mercado brasileiro com softwares da Totvs e do Business One, produto para pequenas e médias da SAP, concorrentes na fatia mais fragmentada do mercado de ERPs no Brasil.

Desde então, o produto tem tido uma performance discreta e não existe muita informação sobre a penetração atingida no Brasil. Em 2015, a Sage falou em 10 projetos em curso com X3. Em 2017, abriu que tinha 23 parceiros de venda no Brasil, sem revelar os nomes.

Mesmo que o número de projetos tenha se multiplicado por 100 desde então, ainda seria uma gota d’água no mercado de sistemas para gestão para pequenas e médias no país.

Criada em Portugal, cidade de Porto, a Xplor Solutions foi eleita como o parceiro do ano em 2014 pela Sage. A empresa está em 14 países, quase todas eles na Europa, com exceção de Angola e Moçambique, duas ex-colônias portuguesas na África, e Argélia.

A empresa já tinha feito uma tentativa no Brasil, ao contratar no ano passado como general manager no país Sergio Fabiano Mattos Botelho, um executivo experiente no mercado de ERP do Brasil, com passagens por cargos de diretoria na Benner, Senior e Datasul.

“Sentimos a necessidade de buscar um parceiro que tivesse profundo conhecimento do mercado local e técnico para implementações. Além do conhecimento e da capacidade técnica, a TechTrends traz consigo um portfólio de soluções complementares que permitem integrar ao ERP tecnologias de última geração”, explica Tiago Baptista CEO da Xplor.

Agora, Botelho será diretor comercial da nova operação conjunta com a TechTrends, que será comandada por José Luiz Moço, executivo que já comanda a eResult, outra empresa da TechTrends, focada na solução de conciliação contábil Blackline. Moço tem experiência com ERP dos seus tempos de Sonda Prockwork.

Os negócios da TechTrends incluem nomes como AgroInova, empresa de soluções para o agronegócio e a operação brasileira da Embarcadero, fabricante de soluções para o gerenciamento de bancos de dados e ferramentas de desenvolvimento, como o Delphi.

Jose Rubens Tocci, que fundou a TechTrends em 2012, foi presidente da Borland (a Embarcadero comprou parte da Borland) para América Latina entre 2001 e 2009.

Além do potencial do acordo entre TechTrends e Xplor, é preciso ter em conta o poderio da própria Sage, que é menos conhecida no país do que fora dele.

Em nível mundial, a empresa é uma gigante, com 13 mil empregados e um faturamento de £ 1,85 bilhão no ano passado. São números que a tornam a terceira maior player no nicho de ERP, atrás de SAP e Oracle.

A Sage deu provas do seu interesse no Brasil ao gastar nada menos do que R$ 398 milhões em 2012 para comprar a Folhamatic, uma das maiores empresas de software de gestão para escritórios de contabilidade do país na época. 

Apesar da Sage não ter feito muito estardalhaço sobre o assunto no momento, foi o segundo maior negócio do mercado de ERP brasileiro, só atrás da compra da Datasul pela Totvs, em 2008, uma operação de R$ 700 milhões.

Depois, a Sage gastou algo próximo a R$ 50 milhões para adquirir as Empresa Brasileira de Sistemas (EBS), sediada em Curitiba, e a Cenize Informática, de São José dos Pinhais. As duas atuavam no mesmo mercado.

Folhamatic, EBS e Cenize atuam num mercado um pouco diferente do que o X3 se propõe, no entanto. 

As três eram players de sistemas de gestão para escritórios de contabilidade, um tipo de cliente que é usado pela Sage e outros concorrentes como uma porta de entrada em empresas pequenas atendidas por esses contadores.