Acesso Digital tem milhares de rostos no seu banco de dados. Foto: Pixabay.

A Nubank, uma das fintechs mais bem sucedidas do Brasil, vai usar a solução de biometria facial da companhia paulista Acesso Digital.

Agora, os potenciais novos clientes do Nubank, cujo processo de cadastro de contas é totalmente digital, terão seus rostos checados na base biométrica da Acesso Digital, que afirma já ter esse tipo de informações para um terço da população economicamente ativa do país (cerca de 30 milhões de pessoas).

"A biometria facial agrega mais uma esfera de segurança e melhorias na nossa operação, sem ter qualquer impacto na experiência do usuário. Do ponto de vista do cliente, o processo de solicitação do cartão continua simples, rápido e transparente", garante Guilherme Wunsch, que lidera a área de prevenção a fraudes do Nubank.

De acordo com Wunsch, biometria facial é uma solução complementar às ferramentas internas de inteligência de dados baseadas em modelos matemáticos que o Nubank já possui.

Outros bancos digitais como Neon, Digio e Banco CBSS já são clientes da Acesso Digital, fazendo a validação biométrica das selfies que compõe o processo de abertura de uma conta digital.

A Nubank lançou em 2014 um cartão de crédito sem anuidade que é gerenciado inteiramente por um aplicativo mobile. Até agora, 13 milhões de pessoas já solicitaram o cartão, mas a companhia tem 3 milhões de clientes. 

Não é possível saber quantas das negativas passam por dúvidas sobre a identidade do solicitante, mas certamente esse fator tem um papel. A empresa lançou no ano passado um produto de conta bancária, o que deve elevar ainda mais as solicitações.

A Acesso Digital tem a meta ambiciosa de se tornar o equivalente da Serasa para o universo da biometria facial, cadastrando em até três anos toda a população economicamente ativa do Brasil. A empresa afirma agregar 1 milhão de cadastros por mês.

A empresa está reunindo informações de biometria facial vindas de uma ampla gama de clientes, passando por varejistas físicos (Via Varejo, Magazine Luiza, Marisa, Pernambucanas e Riachuelo) e e-commerce (Máquina de Vendas, Ricardo Eletro e Ingresso Rápido).

Eles registram fotos dos clientes ao fazer cadastros de crediário ou como uma etapa de segurança no processo de venda online, durante o qual pode ser exigido o upload de uma foto do tipo selfie.

Outra fonte de cadastro são as empresas usuárias do Acesso RH (LATAM Airlines, GRSA, TIM e Santander), um sistema de admissão de funcionários por meio do qual são coletadas informações para o eSocial.

O negócio de biometria digital é uma mudança de rumos para a Acesso Digital, que foi fundada em 2007 com foco em digitalização e gestão de documentos.

A empresa chegou no ranking da Deloitte que indica as 250 pequenas e médias empresas que mais crescem no Brasil. Foram 142,2% de crescimento em dois anos, fechando com uma receita de R$ 26,2 milhões em 2013. 

A ênfase em biometria facial começou em 2016, com a aquisição da Arkivus, uma empresa de Londrina especializada no tema. Marcelo Zanelatto, ex-presidente da Arkivus, hoje é o líder do produto na Acesso Digital. 

Em agosto do ano passado, a companhia anunciou a entrada de Nelson Mattos, ex-VP mundial do Google, no seu conselho de administração.