André Esteves, durante o evento Brasil de Amanhã. Foto: divulgação/Amanhã

O presidente do BTG Pactual, André Esteves, considerou acanhada a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que elevou a Selic em 0,25 ponto percentual, passando de 7,25% para 7,50% nesta quarta-feira, 17.

Falando a empresários participantes da 13ª edição do Brasil de Amanhã, promovido pelo Instituto Amanhã, em Porto Alegre nesta quinta, 18, Esteves defendeu mais aumentos para debelar a inflação, que passou a da meta estabelecida pelo governo e já acumula 6,59% nos 12 meses anteriores a março.

A taxa é 0,09 ponto percentual acima do topo da meta do máximo de 6,5% estipulado pelo governo federal.  

“Não precisamos ser tímidos em atacar os problemas de maneira clássica”, afirmou Esteves, para quem o antídoto para debelar a febre inflacionária pode incluir aumentos de até meio ponto percentual nas próximas duas reuniões, elevando a tava para até 8,5%.

De acordo com Esteves, para um país que há poucos anos tinha uma taxa na média de 12% - no início do governo Dilma, o valor era ainda 10,75% - uma taxa Selic na faixa dos 8% ainda fará o brasileiro se sentir “nova-iorquino”.

A decisão do Copom rompeu uma trajetória de resistência do governo a subir a taxa de juros. Já haviam sido três reuniões mantendo a cifra em 7,25%, o  menor patamar da história recente, desde outubro do ano passado, quando o BC encerrou um ciclo de cortes iniciado em agosto de 2011.

Esteves dono do quinto maior banco em valor de mercado do Brasil, sofre os dois lados do efeito na economia do aumento de juros. Se por por um lado do BTG se beneficia do aumento da taxa básica de juros ao cobrar mais pelos seus empréstimos, por outro as empresas na qual o banco investiu tem um ambiente de negócios mais complicados pela frente.

O presidente do BTG Pactual já definiu o banco como um “BNDES privado”, hoje sócio de mais de 30 empresas dos mais diferentes setores.

A Fiergs, por exemplo, divulgou uma nota criticando a decisão de aumentar os juros por ser penosa para o setor produtivo e pregou a redução do gasto público como forma de conter a inflação.

* Felipe Basso é colunista do Baguete Diário.