Luís Lamb, secretário de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul. Foto: Baguete.

A Estônia, um pequeno país de 1,3 milhão de habitantes da Europa, é uma inspiração para o futuro do Rio Grande do Sul em termos de inovação para o governo.

Uma delegação de integrantes do governo gaúcho irá ao país báltico no próximo mês, de olho em tecnologias que podem ser importadas ou desenvolvidas em parceria, além de possíveis acordos entre empresas dos dois países.

A revelação é do novo secretário de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, Luís Lamb, que esteve apresentando a visão da secretaria para o estado nesta segunda-feira, 18.

“Para espalhar a ideia de que inovação e agregação de conhecimento são importantes, temos que desenvolver projetos nas áreas-fim do governo, que mostra para o cidadão que o estado é inovador. Quando o cidadão começa a interagir com o governo de maneira inovadora e mediada por tecnologia, ele passa a perceber que a sociedade está diferente”, acredita Lamb.

A digitalização do governo estoniano começou nos anos 90, logo após o país declarar sua independência da União Soviética. No ano 2000, o primeiro serviço digital do país foi oferecido aos cidadãos: a declaração de impostos eletrônica.

Hoje, o processo de declaração de impostos leva cerca de três minutos para ser feito pelos cidadãos, o que inclui empreendedores que queiram fundar empresas no país de forma totalmente online, o que tem tornado a Estônia uma sede atrativa para startups de tecnologia.

A Estônia está passando agora para a fase de automação total, em que as empresas não precisarão ativamente declarar impostos, pois as informações (como pagamentos de salários) são enviadas automaticamente para o governo.

O ZDNet destaca que, em 2018, apenas três movimentos relacionados ao governo da Estônia não podiam ser feitos online: casamento, divórcio e compra imóveis.

“Na Estônia, toda a interação do cidadão com o estado é digital. A cidadania, a eleição, o pagamento de impostos, a marcação de consultas de saúde, tudo é digital. Eles são uma referência de governo eletrônico e país inovador”, completa Lamb.

O objetivo inicial da secretaria de inovação, ciência e tecnologia é desenvolver cerca de 30 projetos ligados a três áreas: governo, negócios e sociedade. A partir de um “mapa visual da inovação” desenvolvido no primeiro mês de atuação da nova equipe, foram identificados os principais desafios e ativos com potencial para o crescimento do estado.

O número de projetos foi definido em função da equipe da secretaria, que tem uma capacidade de trabalho de 16 pessoas que podem coordenar dois projetos cada ao longo de um ano. 

“Esses projetos estão sendo desenhados no nosso planejamento, vinculados ao desenvolvimento de produtos premium, indústria high-tech e programas de startups. Hoje estamos pensando quais projetos podem alinhar uma, duas, ou três secretarias de governo, quais podem focar o cluster de saúde e outras iniciativas fortes do estado, entre outros”, explica Lamb.

A ideia de produtos premium está relacionada ao plano de trabalhar com marketing para destacar produtos locais de alta qualidade, como vinho, carne, maçã, atum, fumo e outros.

“Esse plano inclui fomentar o desenvolvimento desses produtos e buscar a criação de um ‘branding’ para isso, para que fique claro que um tipo de produto que vem de determinadas regiões é de qualidade”, diz o secretário.

Lamb é um nome conhecido na comunidade acadêmica gaúcha, tendo assumido o cargo de pró-reitor de Pesquisa da UFRGS em setembro de 2016.

O pesquisador é um “prata da casa” na UFRGS, tendo sido o primeiro graduado do curso de Informática da instituição a assumir o comando do Instituto de Informática, ainda em 2011.

A secretaria de Ciência e Tecnologia chegou a ser extinta durante o governo de José Ivo Sartori (PMDB). 

Apesar do orçamento da secretaria figurar entre os menores da administração pública gaúcha, Lamb assume em um momento favorável, no qual UFRGS, Unisinos e PUC-RS estão liderando uma movimentação para colocar o ecossistema empreendedor de Porto Alegre em outro patamar que está atraindo a atenção do governo e para qual a secretaria é um interlocutor natural.