Promessa para o próximo ano pode ser evitar as enrolações que tiram o foco do trabalho. Foto: Ollyy/Shutterstock.com

Com a aproximação das festas de final de ano e das férias, a procrastinação se torna ainda mais intensa. Mas, quem sabe, uma promessa para 2015 pode ser deixar de lado as enrolações que tiram o foco do trabalho.

Para o Wall Street Journal, quem já tentou construir uma auto-disciplina mas ainda está adiando as coisas deve verificar seu estado de espírito.

Muitas vezes os procrastinadores tentam evitar a ansiedade ou preocupação despertada por uma tarefa difícil com atividades voltadas para reparar seu estado de espírito, como o Facebook ou uma soneca. 

Mas o padrão, o que os pesquisadores chamam de "ceder para se sentir bem" faz com que os procrastinadores se sintam pior depois, quando precisam enfrentar as consequências da falta de um prazo ou fazer um esforço apressado de última hora, diz Timothy Pychyl, professor da Universidade de Carleton, em Ottawa, Canadá, que pesquisa o tema.

Cada vez mais, os psicólogos e consultores de gestão de tempo estão se concentrando em uma nova estratégia: mostrar aos procrastinadores como suas tentativas de reparação de humor estão sabotando seus esforços e ensiná-los a regular as emoções de forma mais produtiva.

A nova abordagem é baseada em vários estudos feitos nos últimos dois anos, que mostram que as emoções negativas podem atrapalhar as tentativas de auto-controle. 

Os pesquisadores criaram uma cartilha de estratégias para ajudar os procrastinadores a virar a reparação humor a seu favor. 

Pychyl aconselha os procrastinadores a praticarem uma "viagem no tempo" - projetando-se para o futuro para imaginar os sentimentos bons que terão depois de terminar uma tarefa, ou os maus caso não realizem o necessároo.

Segundo uma pesquisa feita por Joseph Ferrari, professor de psicologia da Universidade DePaul, em Chicago, cerca de 20% dos adultos afirmam ser procrastinadores crônicos. 

Outros estudos sugerem que a taxa entre os estudantes universitários pode chegar a 70%. 

O hábito prevê salários mais baixos e uma maior probabilidade de desemprego, de acordo com um estudo recente feito com 22.053 pessoas, que também tem co-autoria de Ferrari.

Para o especialista, a procrastinação também pode levar a problemas a longo prazo, como a dificuldade em poupar dinheiro para a aposentadoria e negligência com cuidados preventivos de saúde. 

Estudos mostram que os homens são mais procrastinadores do que as mulheres. Os investigadores suspeitam que esse hábito é parte do motivo que leva os homens a completarem menos anos de educação.

A maioria dos procrastinadores lutam com eles mesmos até quando colocam as coisas de lado, repetindo pensamentos como: "Por que eu não faço o que eu deveria estar fazendo?" ou "eu deveria ser mais responsável", diz Gordon Flett, professor de psicologia na Universidade de York, em Toronto.

"Esse diálogo interno negativo reflete as preocupações e dúvidas sobre si mesmos," diz Flett.

Outra estratégia de humor de reparação é o auto-perdão, destinado a dissipar a culpa. Calouros universitários que se perdoam por procrastinar ao estudar para o primeiro teste procrastinam menos na prova seguinte, de acordo com um estudo de 2010 conduzido por Michael Wohl, de psicologia na Carleton.

Na prática, o que pode ser feito é estabelecer pequenas metas intercaladas com recompensas. 

Um dos procrastinadores que leu os estudos disse que, após uma mudança, resolveu dedicar uma hora para desempacotar as caixas, com o objetivo de conseguir chegar à televisão e montá-la. Depois, assistiu a um programa de tv como recompensa e recomeçou outra etapa de trabalho.