CAPITAL

Chegou o C-Level as a service

17/11/2021 09:50

Executivos atuam em startups oferecendo experiência em troca de participações.

Cristiane Mendes, fundadora e CEO da Chiefs.Group.

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Intermediar a contratação de executivos experientes, dispostos a trabalhar em uma startup em troca de uma participação.

É a aposta da Chiefs.Group, uma startup gaúcha, que já tem um catálogo de 258 executivos dispostos a trabalhar no que a empresa chama de “metodologia Chief As A Service (CaaS)”, um modelo de negócio que a companhia garante ser inédito no país.

A lista inclui nomes como Vasco Crivelli Viscontti, diretor de Marketing de Produto para Latam no Facebook, Venâncio Velloso, sócio da Genial Investimentos e co-fundador da VTEX e Luis Claudio Allan, CEO da FirstCom Comunicação.

Até agora, 10 startups apostaram na novidade, mas a meta da Chiefs.Group é chegar a um total de 300 nos próximos cinco anos.

Entre as startups que aderiram está a Um Bom App, que vende o excedente de alimentos de estabelecimentos comerciais com descontos de até 80%, e agora tem no time Felipe Feldens, estrategista corporativo da Renner S.A.

Feldens ajudou a desenvolver novos serviços no aplicativo, como entregas e vitrine virtual e abriu portas para que a startup pudesse atender um grande varejista do setor alimentício.

Outras startups que integram o Chief As A Service são a Surf Mappers, marketplace que conecta fotógrafos e surfistas; a Banib plataforma que cria tours virtuais 360º e as fintech Mutual e Tá no Bolso, entre outras.

A Chiefs.Group fala numa nova modalidade de investimentos, o Chief Venture Capital. O trabalho dos Chiefs nas startups tem duração de cerca de seis meses, em um turno de quatro horas semanais.

A empresa quer ser uma intermediária, gerindo um ecossistema portfólio de C-Levels para a startup e, ao mesmo tempo, uma gestora de portfólio de investimento e carreira para os executivos membros. 

O mercado potencial existe. Segundo dados da McKinsey & Company, 50% dos empreendedores de startups brasileiras têm entre 18 e 34 anos.

As startups, por outro lado, não tem como bancar os altos custos de contratação de um profissional com uma bagagem construída ao longo de anos atuando em áreas estratégicas de grandes empresas. 

Até agora, esse gap vinha sendo coberto pelo chamado “smart money”, dinheiro colocado nas empresas por fundos de investimento, cujos integrantes também dão consultoria e contatos para alavancar os negócios.

A Chiefs.Group não abre que tamanho de participação nas startups os seus Chiefs As A Service podem demandar, mas dá para supor que fique abaixo do que um fundo pede por um aporte que inclui capital. 

“Nosso modelo foi pensado tanto para transformar a realidade das startups brasileiras quanto para diversificar o portfólio de carreira dos executivos e oxigenar as grandes empresas”, assinala Cristiane Mendes, fundadora e CEO da Chiefs.Group.

De acordo com Mendes, o ganho para os executivos vai além do equity numa startup que pode decolar ou não, incluindo contato nos ambientes de inovação.

“Isso é positivo inclusive para as suas empresas de origem, que terão um profissional mais atualizado e dinâmico. Eu considero essa relação com as startups o novo MBA do mundo dos negócios”, avalia Mendes.

Mendes tem experiência no ecossistema de startups. Ela é fundadora do Delivery Center, uma startup de tecnologia para o varejo e é investidora e participa do conselho da WOW, uma aceleradora de porte no modelo "smart money".

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