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Banrisul aposta em novo data center

17/05/2022 16:22

Investimento de R$ 83 milhões conta com dois mainframes da IBM.

Jorge Krug, diretor de tecnologia e inovação do banco, descarta a ida do core bancário para a nuvem. Foto: Reinaldo Foltz/divulgação.

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O Banrisul, banco estatal do Rio Grande do Sul, inaugurou nesta terça-feira, 17, um novo data center com infraestrutura da IBM e um investimento de R$ 83 milhões.

Em funcionamento desde 20 de setembro de 2021, o DC fica em um prédio próprio construído especificamente para a função no bairro Teresópolis, na Zona Sul de Porto Alegre. O local possui 3 mil metros quadrados e um data hall de 500 metros quadrados.

Anteriormente, o terreno abrigava um espaço voltado à confraternização de funcionários.

Em relação à infraestrutura, são dois mainframes IBM Z15, que suportam até 23 CPUs e 8 TB de memória cada. A capacidade total de armazenamento é de 6 petabytes e o processamento passa das 25 milhões de instruções por segundo.

A capacidade de comunicação é de mais de 2 mil megabits por segundo para serviços digitais e de mais de 600 megabits por segundo com a rede de agências, usando a tecnologia SD-WAN. 

No local, os sistemas de automação permitem a análise em tempo real de todos os parâmetros do data center. Em caso de incêndio, por exemplo, o problema é detectado de forma precoce.

Segundo o Banrisul, o novo DC foi o primeiro do RS a ser concebido seguindo os conceitos de classificação internacional Tier 3, o que permite crescimento modular e flexibilidade da infraestrutura, podendo ser plugado a qualquer momento em estruturas de nuvem públicas ou privadas.

A maioria dos data centers desse nível no país fica em São Paulo e pertence a grandes players de hosting ou computação em nuvem.

Diversas estruturas do Banrisul já estão na nuvem da Amazon Web Services (AWS), inclusive no caso da Vero, rede de adquirência multibandeira da instituição. Jorge Krug, diretor de tecnologia e inovação do banco, só descarta a ida do core bancário para a nuvem.

“Eu não boto o core bancário hoje em cloud, eu não faria isso. E tenho certeza que os outros não farão isso também. Meu núcleo de processamento fica aqui dentro porque ele é muito complexo e eu não vou entregar isso para outro processar para mim”, afirma Krug. 

Até então, a instituição tinha seu data center primário no prédio administrativo. Como o local não foi construído para ser um DC, sofreu adaptações ao longo dos anos para suportar o ambiente computacional.

“Ao longo do tempo, principalmente o DC secundário da época, tinha um prédio todo inadequado para o processamento de um banco, hoje o sexto maior do país. Então a discussão seguiu muito o curso de termos um espaço para processar a infraestrutura de forma eficiente”, conta o diretor.

Com o novo projeto, o data center primário tornou-se o site secundário, contando com mainframes Z14 para suportar a base de backup. Os dois locais ficam a uma distância de 10 quilômetros.

“Tão logo as duas rotas de fibras tiveram as suas instalações concluídas, iniciamos, em um container, o exercício de carga transacional por vários meses. A arquitetura sistêmica para suportar a latência do processamento teve de ser redesenhada e readequada”, detalha Krug.

Segundo o executivo, a migração foi realizada sem afetar as atividades do banco e sem qualquer contratempo.

“O Banrisul emprega aqui as nossas últimas tecnologias e conseguiu fazer uma transição sem nenhuma interrupção ao usuário final, algo que requer muito planejamento, teste, e preparação. Estamos muito felizes em contribuir com a tecnologia, os sistemas e o conhecimento da IBM”, destaca Marcelo Braga, presidente da IBM no Brasil, fornecedora da organização desde 1963.

Com um total de 4 milhões de clientes, o banco gaúcho teve lucro líquido de R$ 948,5 milhões em 2021, alta de 30,4% em relação ao ano anterior. 

CONTEXTO DO MERCADO

De acordo com uma pesquisa da CIO Surveys de 2020, só 16% das empresas do setor de serviços financeiros adotaram nuvens públicas, abaixo da média de mercado, de 24%.

As abordagens variam. O Barclays, um dos maiores bancos do mundo, fechou um contrato de 10 anos com a HPE para usar a plataforma GreenLake como base da sua nuvem privada global.

A decisão veio depois do Barclays fazer uma tentativa de ir para a AWS em 2018, o que acabou não acontecendo.

No Brasil, o Itaú fechou um grande contrato de 10 anos com a AWS em 2021, visando migrar 50% da infraestrutura do banco para a nuvem até o fim deste ano.

O Santander, outra instituição com forte atuação no país, já migrou 80% da sua infraestrutura de TI ligada ao core banking para uma combinação formada pelas nuvens públicas da AWS, Microsoft e uma nuvem privada rodando em equipamentos próprios.

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