Trabalhar no Facebook?

O Facebook está tendo problemas para recrutar profissionais, em meio à crise de imagem da empresa, da alta do custo de vida no Vale do Silício e da competição com novas empresas.

É o que aponta uma matéria da CNBC, que ouviu “média dúzia” de recrutadores do Facebook anonimamente.

Eles disseram que entre engenheiros de software para o time de produto, a porcentagem dos selecionados que aceitam uma oferta teria caído de 90% em 2016 para 50% no começo de 2019.

Entre melhores universidades americanas, conhecidas pelo nome Ivy League, um grupo que reúne nomes fortes em tecnologia como Stanford, MIT e Carnegie Mellon, a queda teria sido de 85% em média para algo entre 35% e 55%.

O Facebook não comentou os números apresentados pela CNBC. Depois que a matéria foi para o ar, a companhia divulgou uma nota afirmando que as cifras estavam “totalmente erradas”, mas, de novo, sem apresentar os dados oficiais.

A rede social preferiu destacar o crescimento no quadro de funcionários, que aumentou de 36% na comparação entre o primeiro trimestre do ano passado e o atual, além do fato da empresa figurar em diversas listas de melhores lugares para trabalhar e das pesquisas de satisfação internas.

O problema é que nenhum desses argumentos responde diretamente ao dados apontados pela CNBC: a empresa pode estar passando muito mais trabalho para contratar do que antes e a satisfação dos funcionários atuais é um influenciador, mas não necessariamente o único na capacidade de recrutar talento.

A queda aconteceu depois do escândalo da Cambridge Analytica, uma consultoria que usou dados de 87 milhões de usuários do Facebook para, entre outras coisas, direcionar anúncios da campanha de Donald Trump. 

Esse é um dos fatores para a redução da atratividade, mas não é o único. A competição com empresas como Google, Apple, Amazon, Microsoft e milhares de startups é outro, assim como os custos de vida em alta no Vale do Silício, onde a empresa tem a sua sede.

Talvez o mais preocupante de todos seja outro: a nova geração de profissionais saindo das universidades cresceu com o Facebook como um fato da vida cotidiana e uma rede social que tem perdido espaço para outras redes. O Facebook já não é tão legal como era em 2006.

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