Batalha na nuvem. Foto: reprodução.

Embora a computação em nuvem ainda seja considerada algo do "novo", com as tecnologias ainda se ajustando e criando inovações para esse novo ambiente, analistas apontam que duas forças concentrarão ultimamente o poder sobre ela: Google e Amazon. E de acordo com alguns deles, a Amazon já pode ser considerada a grande vencedora nessa disputa de gigantes.

Recentemente o Google anunciou cortes no preço de seus serviços em nuvem para bater de frente com a oferta da AWS, que é a líder mundial neste segmento.

Segundo Christopher Mims, especialista do site Quartz, o enfrentamento entre Amazon e Google para dominar os serviços em nuvem tem proporções épicas, com resultados que podem definir de fato o controle da internet.

"O Google aceitou o desafio de correr atrás de um líder isolado de mercado, Amazon, que tem um histórico de destruir concorrentes em todos os setores em que entra. No entanto, o Google tem a seu favor um grande conhecimento técnico, e tem a maior operação em nuvem do mundo, embora ela esteja em usos diferentes do da Amazon", avalia Mims.

Esse fato é o que explica que, em termos mercadológicos, a Amazon se encontra à frente do Google em sua presença na nuvem. Muitos consumidores imaginam a nuvem em serviços como Gmail, Google Drive. No entanto, em outra ponta, onde o dinheiro corre muito mais, a Amazon vem há anos vendendo poder computacional na nuvem para inúmeras companhias.

De acordo com o IDC, cerca de 13% das operações das grandes companhias estão na nuvem. Ainda é uma fatia pequena do mercado de TI, que segundo a mesma consultoria, movimentará cerca de US$ 1,4 trilhão em 2014, mas essa porcentagem deve crescer ano a ano. Novidades como a Internet das Coisas, que conectará utilidades domésticas e outros recursos à nuvem, só aumenta este prospecto.

Inclusive, tanto Amazon quanto Google já admitiram que a receita através de serviços em nuvem pode superar todas as suas atuais fontes de renda - e-commerce (Amazon) e publicidade (Google).

Segundo Mims, quando essa época chegar, todas as necessidades de nuvem para empresas serão fornecidas como serviço, e a concorrência será definida pela confiabilidade e preço oferecido.

E é aí que o especialista aponta a vantagem da Amazon, que investiu neste segmento a partir de 2006, muito antes do Google, e desde então já foi capaz de reduzir o preço de seus serviços 42 vezes, abocanhando pouco a pouco a liderança do mercado.

A vantagem da AWS sobre a empresa de Mountain View é grande, diz MIms. Tanto no preço como na linguagem, a empresa se estabeleceu como um "Walmart"da nuvem, possuindo em sua nuvem cerca de cinco vezes o tamanho combinado de 14 concorrentes de mercado - incluindo nesse bolo o Google.

"O Netflix roda nela (nuvem da Amazon) praticamente inteiro. Esta é uma das razões porque, se uma porção da nuvem da Amazon cair, pode parecer como a internet inteira entrou em colapso", diz Mims.

Com a batalha destes dois gigantes, e mais alguns players correndo por fora, como a Microsoft e seu Azure, a tendência é que a computação em nuvem caminhe para um futuro de maior tecnologia e preços cada vez mais baixos, apontam os analistas.

"À medida que a internet entra em cada parte de nossas vidas, desde o smartphone até nossas torradeiras e carros, humanidade vai precisar de cada vez mais nuvem", finaliza Mims.