MODELOS

A urgência na transformação digital da área de TI

16/05/2022 13:17

O setor de tecnologia da informação ainda não passou pela sua Revolução Industrial.

Marcel Pratte.

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O maior motivador para o desenvolvimento desta análise é provocar os profissionais envolvidos no setor de Tecnologia da Informação (TI) para que, após essa leitura, ocorram importantes reflexões sobre a necessidade de mudança dessa área.

Se resgatarmos a discussão a partir da Revolução Industrial, que marcou a transição para novos processos de manufatura no período entre 1760 e algum momento entre 1820 e 1840, esta transformação incluiu a transição de métodos de ‘produção artesanal e manual’, que até poderia incluir o emprego de alguns equipamentos simples, para a ‘produção por máquinas’.

Isso significa que uma cadeira, por exemplo, para ser produzida em 1840, envolvia alguém para fazer o desenho, outra pessoa realizava as especificações e um carpinteiro a produzia. Se tivéssemos cinco ou mil carpinteiros produzindo a mesma cadeira, ela nunca sairia igual uma da outra. Isso porque a produção era manual, com ferramentas, experiências e know-how diferentes para cada profissional. Poderíamos ter uma cadeira com alta qualidade e outra que poderia quebrar ao sentar-se nela.

Alguma semelhança com a área de TI atualmente? Se fizermos uma analogia com os processos atuais ocorridos no setor, nós, da área de Tecnologia da Informação, de certo, ainda não passamos pela Revolução Industrial. Continuamos artistas e artesões criando, entregando produtos e serviços de forma manual, pois usamos nosso intelecto, nosso know-how e a experiência que acumulamos em nossos trabalhos para construir aplicações e sistemas, porém, fazemos pouquíssimo uso de automação.

Se tivermos um desenho de uma aplicação e colocarmos cinco profissionais ou empresas especializadas para desenvolvê-lo, teremos cinco soluções diferentes. A lógica do desenvolvimento será diferente, assim como a arquitetura de software, o código fonte e a segurança da informação empregada.  Agora, imagine se, ao invés de estar construindo uma cadeira, estivermos construindo o software de um avião para controle de voo e que tenha que ser entregue em três meses. Você se animaria em voar nele?

Tenho tido debates acalorados com CEOs, investidores, empresários e amigos sobre a entrega da área de TI e o resultado dessa conversa não é animador para nós, profissionais da área. O que dizem é que a TI não entrega na velocidade e com a excelência necessária para a transformação dos seus negócios. Isso é preocupante.

A solução é iniciar um grande movimento para fazer nossa “revolução industrial”. Empregar cada vez mais automação e padrões nos processos e nas tarefas repetitivas e deixarmos a criatividade dos nossos profissionais fazer o papel daquilo que a automação não consegue produzir.

Temos que, de fato, entregar o famoso tripé: pessoas, ferramentas e processos. Nenhum dos três pilares isolados são capazes de gerar algo significativo dentro das corporações. Automatizando o máximo possível nossas entregas, atenderemos as expectativas dos nossos clientes, entregaremos mais e com rapidez, segurança e qualidade. E nem por isso vamos deixar de ser criativos e de usar nossa inteligência e know-how para melhorar os negócios e o mundo.

Temos que aumentar nossa produtividade e excelência nas entregas significativamente. Essa questão é urgente. Precisamos nos transformar em um negócio realmente de Tecnologia e não somente de entrega de tecnologia.

A maneira de lidar com essa engrenagem irá diferenciar as empresas que conseguirão avançar e se manter na vanguarda daquelas que sobreviverão (ou não) de forma mais marginal. A escolha de como agir neste momento de desafios será decisiva para o futuro de cada organização.

*Por Marcel Pratte, CEO da Viceri-Seidor, empresa de Tecnologia da Informação que há mais de 31 anos atua no desenvolvimento de software customizado, consultoria e produtos digitais. 

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