Dolár interfere no preço dos smartphones. Foto: divulgação.

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A alta do dólar das últimas semanas está afetando a precificação dos smartphones no país, forçando uma renegociação entre fabricantes, operadoras, distribuidores e redes varejistas no país.

Segundo aponta o Mobile Time, devido ao fato que boa parte dos componentes dos dispositivos ainda são importados, mesmo os aparelhos montados em fábricas locais estão sofrendo os impactos da nova taxa cambial.

Depois de violentas oscilações - nos últimos 45 dias o dólar subiu cerca de 18% - muitas fabricantes estão renegociando seus contratos de fabricação, que até então eram negociados com o dólar em um patamar de R$ 3.

Esta renegociação é permitida por lei mesmo durante um contrato, em caso do valor da moeda ultrapassar o teto de cotação estipulado entre as partes envolvidas.

Um primeiro reajuste aconteceu no começo do ano, em um movimento realizado por vários fabricantes. No caso da Apple, os preços na ponta de todas as versões do iPhone 6 e 6 Plus, por exemplo, subiram R$ 300 cada. Agora, há a expectativa de um novo reajuste em abril.

Entretanto, segundo apontam fontes ligadas ao mercado, o momento de possível reajuste pode ser também uma oportunidade para as fabricantes fazerem suas cartadas junto ao consumidor.

"Contudo, se houver um fabricante com uma boa estrutura de hedge e apetite para ganhar mercado, há espaço para conquistar share de forma abrupta no curto prazo. Vai ganhar o jogo quem tiver fôlego financeiro para manter o preço e capacidade produtiva para atender a demanda", disse ao Mobile Time uma fonte ligada a uma grande fabricante.

Com a alta da moeda norte-americana, quem também está em perigo é o feature phone. Já em queda no mercado brasileiro, frente ao crescimento dos smartphones, os celulares tradicionais podem perder o seu maior atrativo, que é o preço inferior, por conta do dólar.

Os telefones celulares básicos, por incrível que pareça, são em sua maioria importados da China. Entretanto, com o dólar acima de R$ 3, trazê-los do mercado asiático torna seu preço pouco viável para comercialização.

Para analistas, com isso a diferença de preço para o smartphone mais barato do mercado, que já era pequena, ficou menor ainda. A projeção da IDC é de que em 2015 sejam vendidos apenas 5 milhões de feature phones no Brasil, contra cerca de 63 milhões de smartphones.

Para se ter uma ideia, em 2013 foram comercializados 30,4 milhões de feature phones no País. No ano passado, o volume caiu para 15,7 milhões. Se passar para 5 milhões em 2015, conforme previsto pela IDC, significará uma perda de mais de 80% em dois anos.