Apagar das luzes na SCIT? Foto: Guga Marques / Grupo CEEE

A Assespro-RS divulgou uma nota criticando a possibilidade do final da secretaria de  Secretaria de Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico do Rio Grande do Sul (SCIT) nesta segunda-feira, 15.

Para a entidade, o estado deveria “continuar sendo exemplo” e não copiar “modelos infinitamente inferiores”. Assim a nota o atual presidente da Assespro-RS, Robison Klein, e a futura presidente, Letícia Batistela.

A nota surge alguns dias após o começo de um rumor dando conta que o futuro governador José Ivo Sartorti teria intenção de fundir a SCIT com a Secretaria de Desenvolvimento, criando um nova “supersecretaria” focada na atração de investimentos e na inovação.

Não é a primeira vez que uma ideia desse tipo circula durante uma transição de governo, mas, desta vez, parece que a coisa é séria.

Integrantes da equipe de transição de Sartori tem vazado à imprensa informações sobre possíveis atrasos no salário do funcionalismo a partir de abril de 2015.

A previsão é de que em 2015 faltem R$ 5,3 bilhões para fechar as contas. Durante o seu governo, Tarso Genro (PT), usou o expediente de tirar dinheiro dos depósitos judiciais para financiar o governo, o que já não é uma alternativa.

Neste quadro, a informação que circula é que o futuro governo vai cortar custos diminuindo o número de pastas com status de secretaria das atuais 29 pra algo entre 19 e 21. 

Na sua nota, a Assespro-RS defende a importância da secretaria para o fortalecimento do setor de TI no Rio Grande do Sul.

“Temos reais condições de ser o estado referência em tecnologia para o mundo! Universidades, parques tecnológicos, jovens brilhantes e empresários engajados não nos faltam para que isso se torne uma realidade”, afirma o texto, disponível na íntegra abaixo. “Merecemos um tratamento a altura da nossa capacidade e potencial produtivo”, agrega.

Agora é ver se a pressão pública da Assespro-RS gera efeito.

Os planos de fundir as secretarias de Agricultura com a de Desenvolvimento Rural, por exemplo, foram detidas pela pressão política do PSB, um dos partidos da coalização de governo, e da Fetag, uma associação de pequenos agricultores.

A fusão das secretarias de Esporte, Turismo e Cultura enfrenta os protestos dos artistas, que tem alguma influência política.

Pouco do gênero pode ser dito sobre a SCIT, que com poucos funcionários CCs e menos orçamento ainda, foi historicamente usada como um prêmio de consolação pouco apreciado para políticos das diferentes bases aliadas.

A média de permanência dos secretários à frente da pasta é de apenas 14 meses, o que, para uma pessoa pouco familiarizada com a área, significa ter tempo de conhecer algo do jargão, fazer algumas reuniões e partir.

A ironia é que um eventual fechamento da SCIT agora pegaria a secretaria no seu melhor momento histórico. 

Cleber Prodanov, que está atualmente de saída, permaneceu os quatro anos do governo à frente da pasta, um recorde histórico e conseguiu um recorde de liberação de verbas. 

A meta para o final do ano era chegar a R$ 88 milhões, sete vezes mais do que o feito durante o governo Yeda Crusius (PSDB) e mais do que 14 vezes a administração Germano Rigotto (PMDB).

Parte do volume pode ser atribuído à política desenvolvimentista de Tarso, cuja viabilidade parece agora discutível, mas outra parte deve ser atribuída à capacidade de articulação junto as universidades gaúchas de Prodanov, que foi pró-reitor de Inovação da Feevale e presidente do Fórum de Pró-Reitores do Rio Grande do Sul.