Tobias Zobel e Sartori em reunião. Foto: Karine Viana/ divulgação Palácio Piratini.

O Rio Grande do Sul foi o local escolhido para receber um cluster de indústrias e centro de pesquisas no segmento de saúde, através de um acordo entre o governo gaúcho e o Instituto Central de Engenharia Biomédica da Alemanha (ZiMT).

A proposta foi discutida na quinta-feira, 14, pelo governador José Ivo Sartori e o professor Tobias Zobel, diretor do ZiMT. Na audiência no Palácio Piratini, foi avaliada a viabilização de uma parceria entre o estado e a organização alemã para a possível criação de um complexo tecnológico e industrial na saúde articulado aos parques tecnológicos e instituições existentes na região.

Embora nada tenha sido confirmado por parte do governo ou do instituto, nesta sexta-feira a colunista Rosane de Oliveira, da Zero Hora, confirmou que um protocolo de intenções deve ser assinado pelas duas partes na última semana de maio.

Na ocasião, o governador do estado visitará o Medical Valley, complexo do instituto criado em 2008 em Erlangen, na Bavária, estado ao sudeste do território alemão e um dos mais ricos do país.

Na Europa, o Medical Valley é referência mundial ao integrar diversas empresas, universidades e instituições de saúde para o desenvolvimento de projetos e soluções em engenharia aplicada à área.

Conforme afirmou Zobel para a colunista, a assinatura dos primeiros contratos está prevista para julho ou agosto, com a instalação das primeiras empresas em 2016 ou 2017.

A cidade gaúcha escolhida para receber o complexo é São Leopoldo, a cerca de 30 quilômetros de Porto Alegre. A preferência ocorre por conta do movimento já realizado entre a Unisinos, o Hospital Mãe de Deus, a prefeitura local, a Feira Hospitalar e outras organizações, bem como por conta de sua localização estratégica na região metropolitana.

Além de São Leopoldo, outras cidades do país estavam na disputa para receber o pólo de saúde, como Ribeirão Preto, Curitiba e Florianópolis.

O plano do ZiMT para o estado é replicar o modelo do Medical Valley, que na Alemanha possui mais de 500 empresas instaladas, entre companhias de grande porte e startups, além de 16 universidades e mais de 40 instituições de saúde.

"Trata-se de um cluster voltado para elaboração de projetos, que vão desde diagnósticos por imagem 3D, sensores de saúde inteligentes, sistemas de tratamento e soluções em oftalmologia. Além de auxiliar a medicina na criação de tecnologias, o Medical Valley colabora no desenvolvimento de talentos e econômico da região da Bavária", explicou Zobel.

Susana Kakuta, ex-diretora do Tecnosinos, parque tecnológico sediado em São Leopoldo, é uma das principais envolvidas no projeto de trazer a iniciativa para o Rio Grande do Sul. Atual presidente do Badesul, a executiva acompanhará Sartori na viagem à Alemanha.

Quando assinado de fato o contrato, São Leopoldo se juntará a Boston e Xangai como as cidades a receberem novas sedes do ZiMT, que está investindo na expansão de seu modelo para outras partes do planeta, fomentando a indústria e pesquisa de saúde em outras regiões e também criando também uma rede de colaboração internacional.

Segundo o governo, outros fatores contribuem para o estado receber este espaço, como 14 polos tecnológicos, hospitais públicos e privados com centros de pesquisas e ensino, assim como o apoio de companhias locais - o estado conta com um arranjo produtivo local especializado em saúde em Pelotas, que conta com empresas como Freedom, Lifemed, entre outras.

Em Campo Bom, município do Vale do Sinos a 15 quilômetros de São Leopoldo, o Feevale Techpark (antes Valetec), também está formando um cluster de empresas dos setores de saúde avançada e equipamentos médicos, hospitalares e odontológicos.

No Rio Grande do Sul, cerca de 92% das empresas dessas áreas encontram-se em um raio de 100 km de Campo Bom. Recentemente, integraram-se ao parque a FK Biotecnologia, que produz kits diagnósticos, e a Bhio Supply, focada em instrumentação cirúrgica.

"Este cenário propõe pensar a saúde como estratégia de desenvolvimento econômico para o Estado, e não apenas como política social e prestação de serviço" afirmou o diretor de Desenvolvimento e Inovação do Sistema de Saúde Mãe de Deus, Dr. Fábio Gastal, que esteve na reunião no Palácio Piratini.