Laércio Cosentino. Foto: Ana Fuccia/divulgação.

A Totvs delineou o futuro das suas tecnologias nesta terça-feira, 15, ao apresentar novas funcionalidades do Fluig, plataforma que a empresa espera que seja a nova interface dos seus ERPs e uma resposta as demandas das novas gerações de usuários.

Hoje um número pequeno de clientes da Totvs já usa alguma funcionalidade do Fluig: pouco mais de 100, em uma base de 26 mil organizações atendidas.

Mas a Totvs vai trabalhar duro para mudar essa realidade, como mostra o discurso da empresa durante o Universo Totvs, no qual o assunto ocupou 90% do tempo da plenária principal, além dos investimentos em tecnologia e os planos comerciais da companhia.

“Nós estamos cortando a gordura do ERP e transferindo funcionalidades para uma nova plataforma aberta e na nuvem”, explica Laércio Cosentino, presidente da Totvs, destacando que a maioria dos clientes não chega a usar 50% dos recursos disponíveis em um pacote de ERP normal.

De acordo com Cosentino, a ideia é que os diferentes sistemas de gestão da companhia adquiridos ao longo dos últimos anos sejam os “motores transacionais” e que o Fluig seja a plataforma onde os processos de negócio, de colaboração e outras rotinas da empresa sejam executados.

Apesar de negar que a intenção da Totvs seja converter o Fluig no seu carro chefe, Cosentino admite que o produto é a “convergência natural” dos produtos de software da empresa, que faturou R$ 1,6 bilhão em 2013.

Reforça a impressão o fato de que, a partir da versão 12, os ERPs da Totvs não serão mais atualizados anualmente em novos releases, mas em pequenos pacotes, à maneira das novas empresas de software.

De qualquer maneira, muitos clientes da Totvs já tem algumas das funcionalidades de colaboração e workflow na nuvem que a empresa está oferecendo no Fluig em módulos como o ECM da Datasul e a rede social corporativa By You.

Rodrigo Caserta, VP de Atendimento e Relacionamento da Totvs, frisa que a companhia tem em mente a necessidade de preservar o investimento já feito pelos clientes e que a ideia é oferecer evolução e novos features no Fluig, mas não forçar uma migração.

O executivo lembra que a Totvs manteve os ERPs adquirindo rodando e deu aos clientes a possibilidade de migrar para as novas versões mantendo suas licenças, mesmo quando analistas apontavam que o mais rentável seria descontinuar alguns produtos.

Além de falar aos quatro ventos sobre o Fluig, a Totvs está tomando medidas para criar uma força de vendas para a nova plataforma.

Todas as 50 franquias instaladas no país estão habilitadas para vender o produto e a empresa já divulgou planos de agregar 35 canais especializados em 2014, começando por Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.

Um dos alvos para formar o novo canal são software houses que desenvolveram ERPs, mas não tem conseguido fazer investimentos para agregar novas funcionalidades como as permitidas pelo Fluig.

“Queremos quebrar a ideia de que o Fluig é algo dos ERPs da Totvs”, afirma Flávio Balestrin de Paiva, diretor de Estratégia de Mercado da Totvs.

A empresa está comprometida com a causa. No ano passado, a companhia tomou um financiamento de R$ 658 milhões junto ao BNDES – o maior da sua história – e anunciou que do total R$ 58,4 milhões seriam investidos na ferramenta.

* Maurício Renner viajou a São Paulo para o Universo Totvs a convite da Totvs.